Israel exige dissolução de comissão da ONU após comentários antissemitas
Israel acusou, nesta sexta-feira (29), membros da comissão da ONU que investiga o conflito entre Israel e os palestinos de fazer ou defender comentários antissemitas, e exigiu sua dissolução.
"É hora de dissolver essa comissão", escreveu a embaixadora israelense em Genebra, Meirav Eilon Shahar, em carta dirigida ao presidente do Conselho de Direitos Humanos, o argentino Federico Villegas.
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Em uma entrevista recente, um dos três especialistas da comissão, o indiano Miloon Kothari, se referiu a um "lobby judaico" e questionou a legitimidade da adesão de Israel à ONU.
"Estamos muito desmotivados pelas redes sociais, controladas em grande parte pelo lobby judaico ou por certas ONGs, que gastam muito dinheiro tentando nos descreditar", disse Kothari.
A embaixadora israelense escreveu uma primeira carta a Villegas em protesto contra esses "comentários ultrajantes, alguns dos quais são claramente antissemitas".
Alguns diplomatas, entre eles americanos e britânicos, também condenaram os comentários do especialista através de publicações no Twitter.
A presidente da comissão, a sul-africana Navi Pillay, ex-Alta Comissária para os Direitos Humanos, disse na quinta-feira que os comentários de Kothari "parecem ter sido deliberadamente retirados do contexto" e foram "deliberadamente citados errado".
Na carta de sexta-feira, a embaixadora israelense denunciou os comentários de Pillay: "É uma defesa do indefensável", disse. "Ela apoia o antissemitismo. Ela envergonha toda a ONU", acrescentou.
Israel se recusou a cooperar com a comissão, criada após a guerra de 11 dias contra Hamas em maio de 2021, na qual 260 palestinos foram mortos por ataques israelenses em Gaza.
Os especialistas estão encarregados de investigar supostas violações de direitos humanos nos Territórios Palestinos e em Israel desde 13 de abril de 2021.
Em um relatório publicado em 7 de junho, a comissão concluiu que a ocupação israelense dos territórios palestinos e a discriminação contra a população palestina são "as principais causas" das tensões e instabilidade recorrentes.