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Papa pede desculpas por abusos contra indígenas no Canadá

00:01 | Jul. 26, 2022
Autor DW
Tipo Notícia

Na visita de seis dias do papa ao Canadá, encontro com autoridades ficou em segundo planoEm visita ao país norte-americano, Francisco se desculpa pessoalmente com membros de povos nativos pelo papel da Igreja Católica nos programas de assimilação forçada em internatos infantis. "Um erro desastroso", diz.Em visita histórica ao Canadá, o papa Francisco pediu desculpas pessoalmente a indígenas nesta segunda-feira (25/07) pelos abusos cometidos em internatos do país, durante os chamados processos de assimilação forçada dos povos nativos à sociedade cristã. Segundo o pontífice, tais políticas "catastróficas" destruíram as culturas de povos indígenas, separaram famílias e marginalizaram gerações. Foi um "erro desastroso" e incompatível com o Evangelho, afirmou, acrescentando que mais investigações são necessárias. "Com vergonha e sem ambiguidade, peço humildemente perdão pelo mal cometido por tantos cristãos contra os povos indígenas", disse Francisco diante de centenas de sobreviventes e indígenas reunidos em um antigo internato na cidade de Maskwacis, na província de Alberta. Desde o final do século 19 até a década de 1990, cerca de 150 mil crianças indígenas foram matriculadas em 139 internatos, onde passaram meses ou anos isoladas de suas famílias, idioma e cultura. Muitas delas sofreram abuso físico e sexual por diretores e professores. Acredita-se que milhares morreram de doenças, desnutrição ou negligência. Em maio de 2021, mais de 1.300 sepulturas não identificadas foram descobertas nos locais das antigas escolas, em Columbia Britânica e em Saskatchewan. As instalações eram financiadas pelo governo, e a maioria delas era gerenciada pela Igreja Católica. Dirigindo-se às vítimas em Maskwacis, o papa implorou que os sobreviventes praticassem o perdão, a cura e a reconciliação com a Igreja Católica, pelo papel que ela desempenhou no programa. "Peço perdão, em particular, pela maneira como muitos membros da Igreja e de comunidades religiosas cooperaram, inclusive com sua indiferença, em projetos de destruição cultural e assimilação forçada", afirmou o pontífice de 85 anos. "O lugar onde estamos reunidos renova dentro de mim o profundo sentimento de dor e remorso que senti nos últimos meses", completou, antes de um representante indígena colocar brevemente um tradicional cocar em sua cabeça. Alguns sobreviventes disseram a jornalistas que ficaram gratos com o discurso "poderoso" do papa, mas exigiram que o Vaticano divulgue os arquivos da Igreja e dados pessoais de padres e freiras a fim de identificar quem foi o responsável pelos abusos. A visita do papa Francisco iniciou no domingo sua visita de seis dias ao Canadá. Ainda durante o voo, ele assegurou que pretendia fazer uma "viagem penitencial" para pedir desculpas aos indígenas pelos abusos. "Esta é uma viagem penitencial, fazemos com esse espírito", disse ele, que deu preferência aos encontros com os indígenas, enquanto as reuniões com autoridades ficaram em segundo plano e não ocorrerão até quarta-feira, em Quebec. Em Edmonton, capital de Alberta, o papa participou de uma breve cerimônia de boas-vindas com a presença do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e da governadora-geral Mary Simon, a primeira indígena a ocupar o cargo no país. Francisco terminará a viagem em Iqaluit, capital do território canadense de Nunavut – o mais norte que o pontífice já viajou –, onde pedirá desculpas à comunidade dos inuítes, indígenas esquimós que habitam as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia. ek (AP, AFP, Reuters)

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