Logo O POVO+

Jornalismo, cultura e histórias em um só multistreaming.

Participamos do

'Todo dia algo queima': desespero na linha de frente ucraniana

11:47 | Jun. 08, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Yuriy Krasnikov, um aposentado da cidade de Lysychansk, na linha de frente ucraniana, vive cercado por prédios danificados pela guerra e restos carbonizados de bangalôs, bombardeados diariamente pelas forças russas. "Todos os dias há bombardeios e todos os dias algo queima", disse ele à AFP.

Perto de onde está, um grande incêndio queimou uma escola técnica, cujas cinzas deixaram uma névoa no ar.

Lysychansk está do outro lado do rio de Severodonetsk, cidade que as tropas russas e ucranianas lutam para controlar.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

Muitos moradores de Lysychansk fugiram desde a invasão russa, mas muitos também permaneceram, apesar dos riscos; entre eles os idosos, seus cuidadores e os que não têm dinheiro para se instalar em outro lugar.

"Não há ninguém para me ajudar", lamenta Krasnikov, que usa uma bengala e veste uma camisa azul.

"Tentei ir às autoridades municipais, mas não há ninguém. Todos fugiram. Abandonaram as pessoas. Para onde vou com 70 anos?", se pergunta.

Serhii Lipko também quer ficar na cidade, apesar do constante avanço das tropas russas, que já quase cercam tanto Lysychansk como Severodonetsk, diz à AFP enquanto mostra sua casa gravemente danificada.

"Em nosso país, você trabalha toda a sua vida para ter um teto. Por isso não queremos ir para um lugar onde não o teremos", afirma.

"Muita gente da nossa cidade não foi embora, porque trabalhou toda a sua vida para ter seu próprio chão", explica.

Ivan Sosnin, de 19 anos e morador de Lisichansk, explica que sua família precisou ficar para cuidar de uma avó doente.

"Este é o nosso lar. É tudo o que conhecemos. Crescemos aqui. Para qual outro lugar deveríamos ir? Também não temos dinheiro para ficar mais tempo em outro lugar", explica.

Em um mercado de alimentos local escassamente abastecido, Vadym Shvets afirma que ainda mantém a esperança.

"Não sabemos o que acontecerá amanhã. Não sabemos como vamos viver. Obviamente, esperamos o melhor", deseja.

qt-dt/pc/mb/aa

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Os cookies nos ajudam a administrar este site. Ao usar nosso site, você concorda com nosso uso de cookies. Política de privacidade

Aceitar