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Elon Musk visita o Brasil para 'conectar' a Amazônia

01:36 | Mai. 21, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Jair Bolsonaro e Elon Musk se reuniram nesta sexta-feira (20) em São Paulo em um encontro no qual o presidente brasileiro buscou um aliado para refutar as críticas sobre sua gestão da Amazônia e manifestou apoio ao projeto do bilionário de comprar o Twitter em nome da liberdade de expressão.

Após a reunião, na qual Bolsonaro não poupou elogios a Musk, os dois anunciaram o lançamento de um programa de conexão de internet via satélite para 19.000 escolas isoladas e de "monitoramento ambiental" da Amazônia, que será implementado pela empresa do magnata sul-africano, a SpaceX.

Musk disse, por sua vez, que a instalação de uma rede de satélites Starlink para as duas tarefas é "muito boa" por razões "educacionais e ambientais".

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No entanto, não foram divulgados detalhes do acordo.

O encontro, cuja realização só foi confirmada horas antes pelo governo, ocorreu em um hotel luxuoso no interior de São Paulo.

Muito criticado por sua política ambiental e os números recordes de desmatamento e incêndios na maior floresta tropical do planeta, Bolsonaro disse contar com Musk para mostrar como a Amazônia "é preservada por nós".

"E [para mostrar] quanto mal nos causam os que divulgam mentiras sobre essa região", acrescentou.

A reunião, da qual participou também o ministro de Comunicações, Fábio Faria, gerou grande expectativa.

Desde esta manhã, vários jornalistas aguardavam do lado de fora do hotel Fasano Boa Vista, protegido por várias viaturas da polícia, segundo apurou a AFP.

A hashtag #BolsonaroMusk chegou a ficar em primeiro lugar no Brasil.

Faria explicou durante coletiva de imprensa que os satélites darão ao governo ferramentas para colaborar no controle do desmatamento.

Alguns satélites de Musk - afirmou - são equipados com um laser que detectam o ruído das motosserras de quem desmata, e além disso, estes satélites vão ajudar a vigiar os "focos de calor" na região para controlar possíveis queimadas ilegais.

Brasília já anunciou em novembro que estava negociando um acordo com Musk para que sua empresa, Space X, forneça internet via satélite na floresta amazônica e ajude a detectar o desmatamento ilegal.

Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, o programa pode ajudar Bolsonaro, "apesar de que os especialistas discordam porque o problema do combate ao desmatamento não é a falta de monitoramento".

"Trazer internet é ótimo, conectar escolas faz sentido. Mas monitorar o desmatamento não faz muito sentido [Starlink], porque no Brasil isso já é feito com excelência. O que falta é ação, não monitoramento", disse à AFP Tasso Azevedo, coordenador do Mapbiomas, consórcio de ONGs, universidades brasileiras e startups que usa imagens de satélite para rastrear a destruição da floresta.

Musk, empresário inovador e presidente-executivo da SpaceX, atualmente é a pessoa mais rica do mundo, segundo a Forbes, com uma futura estimada em mais de 200 bilhões de dólares. No mês passado, anunciou que compraria o Twitter.

O bilionário anunciou no mês passado seu projeto de compra do Twitter, por 44 bilhões de dólares.

O anúncio da oferta - agora suspensa - foi comemorado com euforia por Bolsonaro e seus seguidores, que esperam um menor controle das redes sociais antes das eleições de outubro, quando o presidente buscará um segundo mandato.

"O exemplo que nos deu há poucos dias, quando se anunciou a compra do Twitter, para nós aqui foi um sopro de esperança", disse o presidente a Musk nesta sexta-feira.

Devido à política de controle vigente no Twitter, várias publicações de Bolsonaro foram eliminadas da rede por "desinformação".

"Musk se transformou nas últimas semanas em una espécie de herói do bolsonarismo. Sua possível aquisição do Twitter foi vista como uma boa noticia porque supostamente terminaria com as restrições que estão surgindo em várias redes sociais, incluindo o Twitter', explicou Stuenkel.

Musk disse que sua proposta de compra é motivada pelo desejo de garantir a liberdade de expressão na plataforma e se declarou a favor do fim do veto contra o ex-presidente Donald Trump, imposto após o ataque ao Capitólio em janeiro de 2021.

A oferta de Musk, no entanto, está suspensa até que o empresário obtenha garantias sobre o número estimado de contas falsas na plataforma, conhecidas como "bots", das quais disse que quer se livrar se assumir o controle da plataforma.

bur-jm/app/ltl/mr/jc/mvv

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