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Quem tem medo do Villarreal?

00:01 | Mai. 13, 2022
Autor DW
Tipo Notícia

O fator sorte evitou um mal maior para o Bayern em suas duas últimas partidas. Mas para chegar à semifinal da Champions terá que vencer o Villarreal por dois gols – e precisará de bem mais do que ocorrências insólitas.A expressão "Bayern-Dusel" (traduzido livremente como Bayern Sortudo) é um dos grandes mitos do futebol bastante difundido na Alemanha. O termo se refere ao Bayern de Munique e é utilizado toda vez que o time, mesmo sem merecer, é bafejado pela sorte em jogos difíceis. Pode ser definido como a capacidade dos bávaros em marcar um gol salvador, de preferência de forma insólita e de última hora, tirando assim as chances de reação do adversário. Aconteceu sábado último (9 de abril) diante do Augsburg pelo campeonato alemão. Para dizer o mínimo, o Bayern não jogou bem e a partida se encaminhava para o fim com um insosso placar de 0x0. Faltavam dez minutos para o apito final quando uma bola cabeceada por Robert Lewandoski foi involuntariamente tocada com a mão pelo saltitante zagueiro Reece Oxford. O árbitro, policial de profissão, ficou na dúvida, foi chamado à atenção pelo VAR, examinou as imagens no monitor e marcou o pênalti. Enquanto isso, o técnico Markus Weinzierl do Augsburg esbravejava à beira do campo inconformado com a marcação e acabou levando um cartão amarelo. Durante todos esses dois a três minutos de espera pela decisão do juiz, o atacante Robert Lewandowski já estava na marca do penal, ajeitou a bola calmamente e encarou o goleiro adversário. Tinha certeza que o juiz optaria pelo pênalti. Dito e feito. O polonês bateu forte, rasteiro e bem colocado no canto, sem chance para seu compatriota, o excelente Rafael Gikiewicz. Três dias antes, esse tal de "Bayern-Dusel" funcionou de modo reverso no primeiro jogo com o Villarreal pelas quartas-de-final da Champions League na Espanha. O confronto terminou com a vitória do time espanhol por 1x0, e o Bayern teve muita sorte – e põe sorte nisso – de não ter levado uma sapatada acachapante. Graças ao juiz do VAR, um gol do Villarreal foi anulado, pouco depois a trave salvou Manuel Neuer de levar mais um e, ao apagar das luzes, Alfonso Pedraza, a apenas nove metros da meta bávara, desperdiçava mais uma chance clara de marcar. Ficou no 1x0 mesmo e o Bayern se deu por feliz porque com esse placar manteve suas chances de se classificar para a próxima fase do torneio. Basta vencer o Villarreal por dois gols de diferença e estará na semifinal. Foram dois jogos consecutivos em que o fator Bayern Sortudo evitou um mal maior. É difícil imaginar que esse fator vai prevalecer mais uma vez no jogo de volta desta terça-feira contra o Villarreal na Allianz Arena em Munique. Os comandados de Julian Nagelsmann vão precisar bem mais do que mera sorte e ocorrências insólitas para superar o Submarino Amarelo. Stefan Effenberg, ex-jogador do Bayern e atual comentarista do portal t-online, deixou claro: "No primeiro confronto, o time do Villarreal sabia exatamente o que fazer em cada fase da partida. Os espanhóis variavam seu jogo taticamente e a transição da defesa ao ataque era feita com precisão e velocidade. Enquanto isso, o Bayern não encontrava meios de combater eficazmente o turbilhão espanhol". "Não bastasse isso, o time comandado pelo técnico Unai Emery teve o absoluto controle durante a maior parte do confronto sem dar tempo e espaço ao Bayern implementar o seu próprio plano de jogo. A partida de volta será um desafio e tanto para os bávaros. De posse da bola, a transição terá que ser rápida e ninguém pode se dar ao luxo de perder bolas fáceis no seu próprio setor defensivo ou intermediário", completou Effenberg. Os mais céticos quanto à uma provável vitória bávara com dois gols de diferença sobre os espanhóis, já tiraram do fundo do baú algumas estatísticas que não ajudam em nada os mais otimistas. Os últimos seis confrontos de mata-mata da Champions nos quais os bávaros perderam o jogo de ida, o Bayern não conseguiu se recuperar na partida de volta e foi eliminado da competição. E para piorar tudo mais um pouco, cinco das seis eliminações foram por obra e graça de clubes espanhóis: Real Madrid (três vezes), Barcelona e Atlético Madrid. O outro carrasco foi o Paris Saint-Germain. Isso posto, vale lembrar que, além do resultado esportivo, para o Bayern é crucial uma vitória que garanta a sua classificação à fase seguinte também pelos aspectos financeiros. A passagem para a semifinal vai garantir aos cofres do Bayern o aporte de mais 12,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 64 milhões), perfazendo um total de 101,5 milhões de euros. Todo esse dinheiro dará a oportunidade ao atual campeão alemão de contratar alguns reforços para a próxima temporada além de facilitar as negociações visando a renovação dos contratos de jogadores como Robert Lewandowski, Manuel Neuer, Thomas Müller e Serge Gnabry. De todo modo, o capitão Manuel Neuer está confiante e desmente problemas de comunicação ou de liderança no elenco: "Estamos unidos e não temos medo de fracassar, nem tememos o Villarreal. Não queiram fazer gracinhas com a gente. Ninguém vai brincar conosco. Depois de perder um jogo como aquele da semana passada, ficamos muito irritados. Vamos partir para cima do Villarreal e mostrar a todos do que somos capazes. Vão conhecer nosso melhor lado", declarou enfático. E ainda ressaltou: "A ferrenha vontade de vencer de todos é encorajadora. Temos protagonistas exigentes e cheios de ambição no time. Eles não se contentam com pouco". É o que a imensa massa torcedora do Bayern espalhada pelo mundo inteiro espera, mantendo acesa a chama da esperança de passar à semifinal da Champions League. Numa enquete feita pelo portal kicker com milhares de usuários, 75% dos entrevistados se mostraram confiantes na vitória. Pelo visto, os bávaros não têm medo do Villarreal. Sabem que, em último caso, ainda podem contar com o "Bayern-Dusel". _________ Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Atuou nos canais ESPN como especialista em futebol alemão de 2002 a 2020, quando passou a comentar os jogos da Bundesliga para a OneFootball de Berlim. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit é publicada às terças-feiras. O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW. Autor: Gerd Wenzel

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