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ONU aumenta pressão sobre Rússia por atrocidades cometidas na Ucrânia

15:21 | Mai. 12, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou nesta quinta-feira (12), em Genebra, por ampla maioria, o início de uma investigação sobre as atrocidades atribuídas às tropas russas desde que invadiram a Ucrânia em 24 de fevereiro.

Em uma sessão extraordinária, o Conselho adotou a medida por 33 votos a favor, dois contra - China e Eritreia - e 12 abstenções. A resolução pede que uma comissão internacional conduza uma "investigação" sobre as graves violações de direitos humanos cometidas em várias regiões da Ucrânia, para "exigir que os responsáveis sejam responsabilizados".

Paralelamente, durante uma reunião do Conselho de Segurança convocada a pedido da França e do México, representantes da ONU exigiram o fim dos bombardeios contra escolas na Ucrânia e denunciaram seu uso para fins militares.

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Em 4 de março, Kiev conseguiu que o Conselho adotasse de forma esmagadora uma resolução para criar urgentemente uma comissão de investigação internacional independente.

Desde então, a divulgação na mídia internacional de fotografias tiradas em Bucha, um subúrbio de Kiev, mostrando corpos na rua, alguns com as mãos amarradas às costas ou parcialmente queimados, além de valas comuns, causou uma onda de condenação internacional.

Atrocidades em outras partes do país também foram reveladas. Segundo a resolução aprovada na reunião de Genebra, que foi boicotada por Moscou, os abusos foram cometidos nas áreas próximas a Kiev, em Chernihiv, Kharkiv e Sumy entre o final de fevereiro e março de 2022.

A resolução pede ao governo russo que garanta às organizações internacionais, incluindo as das Nações Unidas, "acesso imediato e desimpedido às pessoas que foram transferidas das regiões ucranianas afetadas pelo conflito e estão detidas" na Rússia ou em territórios controlados por suas forças.

Além disso, o texto pede que a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, informe na 50ª sessão do Conselho, que acontece entre 13 de junho e 8 de julho, sobre a situação humanitária e dos direitos humanos na cidade portuária de Mariupol, agora praticamente controlada pelas forças russas.

"Milhares de pessoas do meu país perderam a vida. Os bombardeios e tiros russos fazem parte de nossa vida diária", declarou a primeira vice-ministra das Relações Exteriores da Ucrânia, Emine Dzhaparova, na abertura da sessão, em um discurso por videoconferência, no qual denunciou atos de tortura, desaparecimentos forçados, violência sexual e de gênero.

"A agressão russa envolve a descoberta de fatos cada vez mais macabros a cada dia", disse o embaixador francês, Jérôme Bonnafont. Seu colega britânico denunciou a "campanha brutal" de Moscou.

Bachelet afirmou que seu gabinete continua verificando as acusações de atrocidades, das quais muitas "podem constituir crimes de guerra" e denunciou "horrores inimagináveis" sofridos pelos habitantes de Mariupol.

"A extensão das execuções ilegais, incluindo os indícios de execuções sumárias nas áreas do norte de Kiev é chocante", declarou, especificando que, até agora, tem informações sobre 300 casos.

Em Nova York, Omar Abdi, alto funcionário do Unicef, reforçou que os ataques às escolas "devem parar".

"Até a semana passada, pelo menos 15 das 89 escolas - uma em cada seis - apoiadas pelo Unicef no leste da Ucrânia haviam sido danificadas ou destruídas desde o início da guerra", lamentou.

A reunião em Genebra foi a primeira dedicada à questão desde que a Assembleia Geral da ONU suspendeu a Rússia no início de abril de seu órgão de direitos humanos.

A Rússia tinha o direito de participar da reunião do Conselho como observadora, mas escolheu uma política de assentos vazios na quinta-feira e renunciou ao seu direito de resposta.

Para não deixar o campo totalmente livre para seus adversários, o embaixador russo na ONU, Gennady Gatilov, publicou um comunicado no qual denunciou "a demonização da Rússia pelo 'ocidente coletivo'", e falou de uma investigação que não é independente, com a desvirtuação do Conselho que foi transformado em uma arena "para desferir golpes políticos".

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