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Petro, o 'rebelde' de várias causas que sonha em mudar o rumo da Colômbia

10:26 | Mai. 27, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Aos 62 anos, Gustavo Petro ainda se vê como um "revolucionário" por diversas causas. Primeiro lutou contra o Estado e agora busca, na democracia, derrotar as elites e instalar pela primeira vez a esquerda no poder na Colômbia.

Petro aspira em sua terceira e última tentativa chegar à Presidência. Todas as pesquisas o apontam como vencedor do primeiro turno neste domingo (29).

O senador e ex-prefeito de Bogotá sente-se compelido a mudar nada menos que uma "história de 200 anos". "Fazer discursos agora faz parte do meu humor", escreveu ele em sua autobiografia "Una vida, muchas vidas".

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Nascido em uma família de classe média, de pai conservador e mãe liberal, e educado por padres lassalistas, levantou as bandeiras da mudança e da ruptura com as forças que tradicionalmente governam a Colômbia.

Sua ascensão assusta os setores conservadores, pecuaristas e parte do empresariado e dos militares, que temem que seu governo seja um "salto no vazio".

Outros, mais moderados, não embarcam em seu messianismo. "Ele se acha predestinado (...) a única pessoa que pode salvar a Colômbia", resumiu uma fonte próxima que falou ao portal independente La Silla Vacía.

Antissistema, Petro se descreve como progressista e não esquerdista, na tentativa de evitar ser associado a uma corrente que causa repúdio em um país com guerrilhas marxistas no centro de um conflito de seis décadas.

Mas seu passado na luta armada o persegue. Por 12 anos se rebelou contra o Estado que agora pretende reformar fundamentalmente. Hoje as armas oficiais o protegem.

Várias vezes ameaçado de morte e forçado a um exílio de três anos na Europa, Petro é o candidato mais protegido nesta corrida. Nos últimos comícios apareceu praticamente blindado com colete à prova de balas e escudos ao seu redor, e com pelo menos 20 guarda-costas.

Em fevereiro, esse economista confessou à AFP seu medo de que o matassem.

Petro militou no M-19, uma guerrilha nacionalista de origem urbana que assinou a paz em 1990.

Segundo ele, rebelou-se contra o golpe militar no Chile em 1973 e uma suposta "fraude eleitoral" na Colômbia no mesmo ano contra um partido popular.

Admirador fervoroso do Prêmio Nobel Gabriel García Márquez, na clandestinidade adotou o nome Aureliano, em homenagem ao personagem de "Cem Anos de Solidão".

Foi detido e torturado pelos militares e ficou preso por um ano e meio.

Sempre foi um combatente "medíocre", de acordo com seus ex-companheiros de armas.

Em seu livro destaca: "Nunca senti, ao contrário de muitos de meus companheiros, uma vocação militar (...) o que eu queria era fazer a revolução".

Desde então, apresenta-se como um "revolucionário" de várias causas, mas distante do marxismo. Sua "opção preferencial pelos pobres", sustenta, decorre da teologia da libertação.

Candidato pelo Pacto Histórico, endossa a defesa do meio ambiente. Ele propõe parar a exploração de petróleo (cujas vendas representam 4% do PIB) em uma "transição" para energias limpas, ampliar a produção de alimentos, reformar as regras de promoções dentro das Forças Militares, entre outras mudanças.

Se chegar ao poder, os militares terão que jurar fidelidade a esse ex-guerrilheiro que prometeu retomar as negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Depois de assinar a paz, Petro chegou ao Congresso e depois à prefeitura de Bogotá em 2012-2015.

Como parlamentar, destacou-se por denunciar os vínculos entre políticos e os paramilitares de extrema-direita, mas como prefeito ganhou fama de autoritário e mau administrador por seu plano caótico de estatizar a coleta de lixo, então nas mãos de particulares.

Daniel García-Peña, assessor de Petro na época e que se distanciou dele por causa de seu "despotismo", ainda se lembra de suas "dificuldades em trabalhar em equipe", embora reconheça seu conhecimento do país e sua inteligência.

Ele tem "um temperamento muito impetuoso e autoritário, e quando insistiu em realizar suas propostas (...) não soube conciliar os diferentes setores para colocá-las em prática. Travou muitas brigas ao mesmo tempo e isso gerou muita frustração", disse o professor universitário à AFP.

Petro é casado com Verónica Alcócer e tem seis filhos.

as-vel/lv/dga/mr

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