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O exaustivo trabalho dos bombeiros na cidade ucraniana de Kharkiv

10:51 | Abr. 28, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Todos os dias eles percorrem Kharkiv para apagar incêndios provocados pelos bombardeios russos. Após mais de dois meses de conflito, os bombeiros da segunda maior cidade da Ucrânia estão esgotados.

Os números são dramáticos: mais de 1.000 incêndios na região de Kharkiv, mais de 2.000 edifícios danificados ou destruídos pelo fogo somente na cidade e mais de 140 civis mortos entre os escombros, segundo Ievguen Vassylenko, porta-voz regional do Serviço de Emergência da Ucrânia.

Todos os dias, os foguetes russos apontam principalmente para os distritos nordeste e oeste, os mais próximos da linha de frente. Os habitantes continuam em suas casas. Ataques aleatórios, espaçados, a toda hora do dia ou da noite, às vezes, mortais.

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Na quarta-feira (27), no final do dia, dois bombardeios deixaram um morto e dois feridos. O balanço de terça-feira (26) foi de três mortos.

"Em tempos de paz não havia mais que um incêndio, mas com a guerra podem acontecer 10 ao mesmo tempo", comenta Roman Kachanov, comandante da unidade 11 dos bombeiros de Kharkiv.

"Há duas semanas, houve um grande bombardeio", conta o homem.

"Cinquenta e seis caminhões de bombeiros trabalharam em diferentes bairros do centro. Um edifício, depois outro e outro... Depois começaram a bombardear Saltivka", o distrito do nordeste, o mais atacado, acrescenta.

"E segue assim todos os dias, os rapazes não têm tempo para descansar, essa é a parte mais difícil. É exaustivo", disse.

Na quarta-feira, após a intervenção em uma oficina que havia se transformado em cinzas, um bombeiro permaneceu sentado, com o olhar perdido.

Esta semana, os bombeiros receberam a visita de um pequeno grupo de colegas americanos. Eles entregaram material e ministraram cursos de primeiros socorros.

Atrás do hangar onde estão estacionados os caminhões de bombeiros antigos, da época soviética, junto a outros mais modernos, Roman Kachanov mostra aos seus convidados uma impressionante pilha de cápsulas de projéteis de todos os tamanhos, uma prova dos ataques à cidade.

Consultado sobre os riscos que seus homens correm quando os russos bombardeiam o mesmo lugar duas vezes em intervalos de 10 e 15 minutos, a resposta é óbvia.

"Quem teme o perigo? Tem que ir, não nos importa, para nós, é nosso trabalho", responde.

Em mais de dois meses de conflito, somente na região de Kharkiv um bombeiro e três técnicos de retirada de minas morreram em operação, segundo o porta-voz Vassylenko.

"Um dos nossos bombeiros morreu sob os bombardeios, bem diante de mim", recorda Kachanov sem dizer mais.

Além dos incômodos uniformes protetores que pesam cerca de 10 quilos, alguns bombeiros portam coletes à prova de balas.

Mas não faltam voluntários.

"Nesse momento, 3.000 bombeiros da região de Kharkiv trabalham em equipe. Temos gente o suficiente, temos equipamentos o suficiente", assegura Kachanov.

Clint Saint-Martin, um ex-soldado que combateu no Iraque, faz parte do pequeno grupo que chegou dos Estados Unidos para ajudar os seus colegas ucranianos.

Após uma visita à estação mais próxima dos distritos do leste de Kharkiv, posou sorridente para uma foto com o emblemático uniforme dos bombeiros americanos.

"Essa é a primeira equipe (de voluntários) e espero que muitos outros venham à Ucrânia para apoiar os bombeiros ucranianos e sua missão contra essa guerra sem sentido", declarou à AFP.

"É realmente impressionante. Tenho muito respeito por eles (...) Voltarei à Kharkiv, esses homens me inspiram", assegura o ex-soldado.

Roman Kachanov, por outro lado, diz que "apenas espero que tudo acabe", mesmo que "ninguém saiba quando acabará".

"Esperamos que os russos entendam quem é este 'Putler' e lhe deem um pé na bunda", disse, usando uma expressão pejorativa que combina o nome do presidente russo Vladimir Putin com o de Hitler.

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