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'Influencers' indígenas levam a luta ancestral para as redes

11:37 | Abr. 14, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

"Gostei, gostei". Sem tirar os olhos de um dos dois Iphones que segura em suas mãos, Samela Awiá, uma indígena do povo Satere Mawé, aprova um vídeo que se tornará um 'post' em suas redes sociais.

Trata-se de uma minirreportagem para que seus 55 mil seguidores no Instagram saibam o que está acontecendo dentro do "Terra Livre", o maior acampamento indígena do Brasil, convocado anualmente pelos povos originários em Brasília.

Nesta edição, que termina nesta quinta-feira (14), se manifestam contra um pacote de projetos do governo de Jair Bolsonaro, que consideram nocivo para sua subsistência.

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Contudo, além de se mobilizar em concentrações, alguns jovens indígenas brasileiros como Samela estão apostando cada vez mais nas redes sociais, uma ferramenta moderna que serve para defender suas tradições ancestrais e amplificar a luta pelos direitos de seus povos, no momento em que centenas de comunidades temem pelo avanço sobre suas terras.

"As lideranças indígenas que vieram antes da gente e que também estão junto com a gente na caminhada tiveram ferramentas de luta, armas de luta, e a juventude vem trazendo uma ferramenta nova de resistência que é a internet, [...] uma ferramenta que consegue fazer grande diferença na luta do movimento indígena", explica à AFP esta "influencer" de 25 anos.

Em suas redes, Samela se apresenta como artesã, comunicadora e ativista digital. Oriunda de Manaus, no Amazonas, chegou à capital para participar, junto de outros milhares de indígenas, do acampamento e de uma série de protestos.

"Olá, sou Samela Satere Mawé e estou aqui no acampamento Terra Livre", se apresenta em um vídeo postado nas redes, com suas vestimentas tradicionais, um cocar de penas azuis na cabeça, braceletes e brincos com penas da mesma cor.

"Vem comigo que eu vou te mostrar tudo o que está rolando [...] a gente descomplica a notícia."

Quando cria conteúdo, a jovem busca alcançar seus parentes na aldeia, que ainda não entendem muito bem o alcance dos projetos de lei em discussão em Brasília, e também para outros brasileiros e cidadãos do mundo para que interiorizem a realidade dos indígenas e sua "luta justa", explica.

Apoiado por seus aliados do agronegócio no Congresso, Bolsonaro busca acelerar vários projetos de lei considerados prejudiciais para os indígenas e o meio ambiente, entre eles um que busca legalizar a exploração do garimpo nas reservas.

Atualmente, 900.000 indígenas (0,5% da população) vivem no Brasil e suas reservas ocupam 13% do vasto território nacional.

Com a mesma meta que a jovem Satere Mawé, e também para afastar os preconceitos sobre os indígenas, Tukumã, um jovem do povo Pataxó, no sul da Bahia, escolhe Instagram para levantar a voz.

"Não acha que está muito moderno para ser indígena?", pregunta ironicamente Tukumã em uma de suas publicações, um vídeo no qual aparece com um 'case' de 'smartphone' em suas mãos.

Dessa maneira, o jovem critica a expressão 'Índio de Iphone', utilizada comumente para deslegitimar os membros de povos originários que utilizam aparelhos tecnológicos modernos.

"Será que temos que parar no tempo?", justifica no texto do vídeo.

Com 172 mil seguidores, Tukumã, de 22 anos, é quase uma celebridade dentro do Terra Livre e, a cada passo, é parado por outros indígenas que pedem para tirar fotos com ele.

"A juventude é superimportante dentro da luta [...] antigamente, no meu povo, falavam assim que os mais velhos que vieram aqui primeiro para Brasília, para lutar pelo território, para lutar pela demarcação do território, não sabiam nem aonde chegar nem como chegar, mas vieram, conseguiram", contou Tukumã, que afirma estar em luta pelo futuro da Terra.

"Hoje, a gente tem a tecnologia a nosso favor, a gente consegue alcançar o mundo e estamos fazendo isso, trazer ao nosso favor também, que essa tecnologia seja uma ferramenta de luta para os povos indígenas", concluiu.

msi/app/rpr/mvv

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