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FMI: guerra na Ucrânia e inflação desacelerarão o crescimento mundial

14:17 | Abr. 14, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) não prevê uma recessão mundial, mas reduziu suas previsões de crescimento para 2022 e 2023 devido à guerra na Ucrânia e seu efeito na inflação, anunciou nesta quinta-feira (14) a diretora-gerente da instituição, preocupada com uma "fragmentação" do mundo.

Em janeiro, antes mesmo de a Rússia invadir a Ucrânia, o FMI já havia reduzido sua previsão de crescimento global para este ano para 4,4%, por conta da variante omicron da covid-19, mas revisou para cima suas projeções para o próximo ano.

Contudo, a guerra na Ucrânia piorou essas previsões.

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O conflito iniciado em 24 de fevereiro com a invasão russa da Ucrânia agravou a inflação, que "agora representa um perigo real" para a recuperação, destacou Kristalina Georgieva.

Resumindo: estamos diante de uma crise em cima de outra crise", lamentou em um discurso antes das reuniões de primavera (no hemisfério norte) entre FMI e Banco Mundial

"É uma obviedade, mas a causa profunda do que enfrentamos atualmente é a guerra", insistiu.

Georgieva não revelou as projeções de crescimento para cada país, que serão divulgadas na próxima terça-feira.

No entanto, indicou que "a economia da maioria dos países permanecerá em terreno positivo". Em outras palavras, os economistas do FMI não preveem uma recessão neste momento.

Por outro lado, "o impacto da guerra na Ucrânia contribuirá para reduzir as previsões de crescimento deste ano para 143 países que representam 86% do PIB mundial", disse Georgieva.

A situação varia muito de país para país. As projeções econômicas para a Ucrânia são "catastróficas" e a previsão de contração do PIB da Rússia é "severa", adverte.

Ela também ressaltou que o grau de incerteza na última previsão do FMI vai muito além do "habitual", porque a guerra na Ucrânia e as sanções contra Moscou podem piorar e é provável que surjam novas variantes da covid-19.

O principal risco é que a inflação permaneça alta por muito tempo e, portanto, seja muito mais difícil de controlar

Após uma década de inflação quase silenciosa, os preços em todo o mundo começaram a disparar no ano passado, com o aumento do consumo da população global após a paralisação econômica causada pela pandemia de covid-19 em 2020.

Nas últimas semanas, a invasão russa da Ucrânia e as sanções impostas a Moscou elevaram os preços dos combustíveis e dos alimentos.

Ucrânia e Rússia são grandes produtores de grãos, sendo este último também uma importante fonte de energia para a Europa. Portanto, as repercussões econômicas são sentidas além das regiões da Europa central e do leste.

A inflação, que bateu recorde em quatro décadas nos Estados Unidos, é "agora um perigo real" para muitos países e atinge mais os mais pobres, lamentou Georgieva em discurso no Carnegie Endowment for International Peace, um think tank com sede em Washington. Ela acredita que essa tendência provavelmente continuará por mais tempo do que o esperado.

"É um grande empecilho para a recuperação global", acrescentou.

Também complica consideravelmente a tomada de decisões, porque, se os principais bancos centrais aumentarem as taxas de juros para conter a inflação, isto levará a um aumento dos custos de endividamento dos países emergentes e em desenvolvimento, que já estão fortemente endividados.

"Este é o ambiente político mais complexo do nosso tempo", disse Georgieva, que pediu às instituições monetárias que "atuem com determinação".

Acabar com a guerra e a pandemia são as principais prioridades para garantir a prosperidade, acrescentou.

Ademais, a diretora-gerente do FMI advertiu sobre a "crescente fragmentação da economia mundial em blocos geopolíticos" que prejudica a capacidade de enfrentamento de crises atuais e futuras.

Isso levará a uma "mudança" que remodelaria, por exemplo, as cadeias de suprimentos globais.

A guerra na Ucrânia apresenta "questões legítimas" sobre como os países podem seguir trabalhando juntos, comentou. Mas "a resposta não pode ser o isolamento e a fragmentação", frisou.

Georgieva citou como exemplo o fim da Guerra Fria, que permitiu "uma nova era de prosperidade", na qual "a economia global triplicou e os grandes beneficiados foram os mercados emergentes nas economias em desenvolvimento".

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