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Russos deixam rastro de destruição em Borodianka

00:02 | Abr. 13, 2022
Autor DW
Tipo Notícia

Equipes de resgate buscam corpos em escombros Próxima a Kiev, cidade foi uma das mais atingidas por bombardeios. Autoridades ucranianas dizem que defesa civil foi impedida de resgatar moradores soterrados. Dezenas de corpos estariam ainda sob os escombros.A destruição de áreas residenciais em Borodianka é visivelmente maior do que em outras localidades ao redor de Kiev. Logo no início da invasão russa, no final de fevereiro, o pequeno município de 13 mil habitantes localizado a cerca de 50 quilômetros da capital da Ucrânia passou a ser palco de intensos combates. No início de abril, Borodianka foi libertada das tropas russas. Autoridades ucranianas organizaram então uma excursão até a cidade para jornalistas da imprensa internacional, incluindo a DW, para mostrar as consequências destes combates e da ocupação russa. Na cidade, as ruas estão praticamente vazias, devido ao toque de recolher ainda em vigor imposto em toda a região. No centro, onde havia casas, prédios do governo, cafés e restaurantes, restam muitas ruínas, resultado dos bombardeios e ataques russos. Árvores caídas e veículos queimados bloqueiam as ruas. De acordo com Petro Kisiljow, da defesa civil ucraniana, mais de 90% do centro de Borodianka foi destruído. O inventário da situação, no entanto, ainda não foi concluído. A equipe de Kisiljow remove agora os escombros. Ele ressalta que na cidade não havia quartel das tropas ucranianas e nem instalações militares de importância estratégica. "As tropas russas simplesmente agiram de forma bárbara contra os civis", afirma. Ao longo da principal rua da cidade, restam apenas escombros e cinzas de uma dúzia de prédios residenciais. Moradores relataram à DW que, desde o início, caças russos voando baixo jogaram bombas nesses edifícios. "Militarmente isso não faz sentido algum", enfatiza Anton Herachtchenko, assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, que acompanhou os jornalistas na visita. "Os pilotos russos bombardearam indiscriminadamente". Escombros transformados em valas comuns "Uma das maiores tragédias da Ucrânia", disse o ministro do Interior ucraniano Denys Monastriskij, sobre o ataque em Borodianka, que, segundo ele, foi uma das localidades na região de Kiev que mais sofreu durante a ocupação russa. De acordo com o ministro, corpos ainda devem estar no meio dos escombros. "Há um mês, equipes de resgate tentaram remover os escombros, mas foram atacadas pelos inimigos", afirmou Monastriskij, acrescentando que, naquele momento, ainda era possível resgatar os soterrados com vida. Todas as tentativas de resgate fracassaram sob fogo russo e, por fim, os voluntários ucranianos não tiveram mais acesso aos prédios destruídos. O ministro disse ainda que as operações de busca e resgate só puderam ser retomadas após a libertação de Borodianka no início de abril. "Sabemos que não encontraremos mais sobreviventes nos escombros. Este é outro crime contra a humanidade cometido deliberadamente pelas tropas russas, pois aqui não havia quartel ou equipamentos militares, somente casas e um jardim de infância", enfatiza. Herachtchenko acrescenta que os escombros se tornaram efetivamente valas comuns para muitos ucranianos. Sem segurança nos abrigos antiaéreos "Ao ver um avião, o único quer era possível fazer era se deitar e rezar para não ser atingido por uma bomba", conta Olha, que vive em Borodianka. Depois que um prédio de nove andares ameaçou desabar após os ataques, os moradores foram evacuados de ônibus para outros locais na região. "As pessoas estavam muito assustadas. Os abrigos antiaéreos não eram uma salvação, pois com a destruição das construções, as pessoas acabaram enterradas nos porões. Isso foi muito ruim", acrescenta. Ela conta que combates tão grandes como esses ela só tinha visto em filmes. "A guerra é algo muito terrível. Continuei rezando pela paz, para que não houvesse mais troca de tiros. Tudo isso é horrível. Eu estava constantemente preocupada, tensa e em choque. Espero que a guerra nunca mais volte para Borodianka", diz Olha. Autor: Konstantin Goncharov

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