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Confinamento de Xangai ameaça agitar a economia mundial

11:58 | Abr. 08, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A cidade de Xangai, principal porto de contêineres do mundo, está confinada pela covid-19, uma medida que afeta a economia chinesa e ameaça as cadeias de suprimentos de todo o mundo.

Para enfrentar a pior onda de covid-19 na China desde o início da pandemia, a capital econômica do país - com um PIB equivalente ao da Polônia - está em um confinamento total ou parcial há duas semanas.

Apesar de Xangai não ter registrado nenhuma morte e a grande maioria dos casos ser assintomática, as autoridades decidiram confinar os cerca de 25 milhões de habitantes, apesar do preço alto que isso representa para a economia.

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Milhares de caminhões estão retidos, pois os motoristas que entram na cidade devem ficar em quarentena por duas semanas para sair.

A falta de caminhoneiros afeta a atividade do porto, embora as autoridades afirmem que por enquanto há menos de uma dúzia de navios por dia à espera de atracar.

"Mas o problema é que, devido às restrições impostas aos caminhoneiros, o porto não funciona realmente", disse à AFP Bettina Schön-Behanzin, vice-presidente da Câmara de Comércio da União Europeia em Xangai.

A representante comercial informou que ouviu dizer que os volumes caíram 40% em uma semana no porto. "Isso é muita coisa", afirmou.

O efeito começa a ser sentido por toda China, onde os atrasos nas entregas se multiplicam nas plataformas de comércio pela internet, especialmente para os produtos importados. Algumas indústrias são obrigadas a encontrar novos fornecedores.

Este impacto, no entanto, também poderia ser sentido a nível internacional, já que o porto de Xangai representa 17% da tonelagem marítima chinesa. Qualquer interrupção desacelerará o comércio do maior exportador de mercadorias do mundo.

Os empresários afirmam que os confinamentos que acontecem de um lugar para outro do país afetam seriamente suas atividades.

"Nem todas as profissões podem trabalhar em casa", diz Jason Lee, fundador de uma empresa de cadeiras de rodas chamada Megalicht Tech, cuja fábrica em Xangai está fechada.

A epidemia pode afetar as metas de crescimento do governo chinês, que esperava uma expansão de 5,5% este ano, o menor número em 30 anos.

Os empresários tentam se adaptar para sobreviver. Gao Yongkang, diretor da empresa Qifeng Technology em Quanzhou, no leste do país, não pode mais entregar pedidos a seus clientes regulares, então passou a vender roupas de proteção.

Outros conseguiram mudar de provedor.

"É um pouco mais caro e menos eficaz", diz Shen Shengyuan, vice-presidente do New Yifa Group, fabricante de fraldas.

Eric Zheng, presidente da Câmara Americana de Comércio em Xangai, questiona se a estratégia de covid zero ainda funciona no contexto atual.

"Essa é a grande questão, principalmente quando se coloca na balança com o custo econômico que isso acarreta", disse.

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