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Bombardeio mortal em estação ferroviária no leste da Ucrânia, que teme ofensiva

15:48 | Abr. 08, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Um ataque com míssil deixou ao menos 50 mortos nesta sexta-feira (8) na estação ferroviária de Kramatorsk, no leste da Ucrânia, de onde milhares de civis fogem por medo de uma iminente ofensiva russa.

O míssil caiu por volta das 10h30 locais (03h30 de Brasília), um horário em que centenas de pessoas vão há dias para a estação aguardar um trem que as tire de Kramatorsk, capital da região do Donbass que ainda está sob controle ucraniano.

"Cinquenta mortos, entre eles cinco crianças. É o número atual de mortos no bombardeio realizado pelas tropas russas em Kramatorsk", escreveu no Telegram o governador da região de Donetsk, Pavlo Kyrylenko.

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O balanço pode ser maior neste que já é o ataque mais letal desde o início do conflito, há seis semanas.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, qualificou o ato de uma "maldade sem limites" por parte da Rússia e informou que 300 pessoas ficaram feridas.

Um jornalista da AFP viu os corpos reunidos de pelo menos 30 pessoas, colocados em um caminhão militar.

A Rússia negou responsabilidade na tragédia e denunciou uma "provocação" de Kiev.

"O objetivo deste ataque orquestrado pelo regime de Kiev (...) era impedir que a população civil fosse embora da cidade para poder usá-la como escudo humano", afirmou o Ministério da Defesa russo.

Segundo Oleksander Kamyshin, encarregado da companhia Ukrzaliznytsia, tratou-se de "um ataque deliberado".

Em frente à estação viam-se os destroços retorcidos do míssil, que tinha a inscrição (em letras brancas e em russo): "por nossos filhos".

A frase, em tom de vingança, é usada às vezes pelos separatistas pró-russos ao se referirem a seus filhos mortos na guerra do Donbass, que começou em 2014.

"Era um míssil Toshka, uma bomba de fragmentação", assegurou à AFP um agente de polícia presente no local. "Explode por vários lados em uma superfície do tamanho de um campo de futebol", explicou.

Com base nos vestígios de sangue no chão e em testemunhos, as vítimas foram atingidas em vários pontos da estação, na plataforma principal contígua e na explanada em frente ao edifício.

A estação ficou cheia de malas abandonadas, vidros quebrados e escombros.

"Estou procurando meu marido, estava aqui, mas não consigo encontrá-lo", disse uma mulher, sem ousar se aproximar dos corpos alinhados do lado de fora da estação.

Este ataque ocorre no momento em que as potências ocidentais preparam novas sanções após as atrocidades descobertas em Bucha (a noroeste de Kiev), onde os investigadores começaram a exumar os corpos das valas comuns para determinar se foram vítimas de crimes de guerra.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, viajaram nesta sexta-feira a Bucha e têm previsto se reunir com Zelensky.

Borrell condenou no Twitter o ataque contra a estação ferroviária. "Trata-se de uma nova tentativa de fechar as vias de evacuação para aqueles que fogem desta guerra injustificada e causar sofrimentos humanos", denunciou.

Há dias, as forças russas concentram suas operações no leste e no sul da Ucrânia em uma estratégia que parece apontar para a criação de uma continuidade territorial entre a Crimeia, ocupada e anexada em 2014 por Moscou, e as províncias separatistas pró-russas de Donestk e Lugansk, no Donbass ucraniano.

As autoridades ucranianas instaram nesta quarta-feira os civis a evacuarem a região, embora em muitos casos o êxodo seja obstruído pelos bombardeios.

"Não é nenhum segredo, a batalha pelo Donbass será decisiva. O que já vivemos, todo esse horror, pode se multiplicar", disse o governador de Lugansk, Sergii Gaidai.

Analistas consideram que o presidente russo, Vladimir Putin, quer assumir o controle do Donbass antes da parada militar de 9 de maio, que celebra o fim da Segunda Guerra Mundial, uma data carregada de simbolismo na Rússia.

"Cada dia é pior e pior. Chovem (bombas) de todos os lados", disse Denis, cujo rosto pálido o faz aparentar ter mais do que seus 40 anos, em Severodonetsk, cidade do leste da Ucrânia. "Quero escapar deste inferno", acrescentou, enquanto aguardava sua vez de fugir de ônibus.

Paralelamente, vêm à tona novas denúncias de atrocidades em regiões até há pouco ocupadas pelos russos perto de Kiev.

"Começaram a procurar nas ruínas da cidade de Borodianka", no noroeste da capital, disse Zelensky. O que ocorreu ali "é muito pior do que em Bucha", denunciou.

A procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova, informou que por enquanto teriam sido encontrados 26 corpos nos escombros de dois imóveis e alertou que se trata da "cidade mais destruída da região".

Em Chernihiv, o prefeito denunciou que morreram 700 pessoas, entre civis e militares.

Na sitiada Mariupol (sudeste), até mesmo o representante pró-russo proclamado como novo "prefeito" reconheceu a morte de 5.000 civis.

A Rússia negou ter atacado civis nas regiões sob seu controle, mas as provas crescentes de suas supostas atrocidades fizeram com que fosse suspensa na quinta-feira do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O Reino Unido anunciou sanções contra as filhas de Putin e seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em um desejo de atacar o "ostentoso estilo de vida do círculo próximo ao Kremlin".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou o envio de mais mísseis antitanques e antiaéreos à Ucrânia.

A União Europeia (UE) anunciou na quinta-feira um embargo às importações do carvão russo e proibiu a entrada de navios russos a seus portos.

A Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou que os preços mundiais dos alimentos alcançaram em março "um nível nunca registrado" devido à guerra na Ucrânia, o que afeta seriamente o comércio de cereais e óleos vegetais.

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