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Esposa de juiz conservador é vinculada ao complô de invasão ao Capitólio

21:06 | Mar. 25, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Washington acompanha nesta sexta-feira (25) os últimos acontecimentos da investigação sobre a invasão ao Capitólio: mensagens de texto enviados pela esposa do juiz mais conservador da Suprema Corte a Mark Meadows, chefe de gabinete de Donald Trump, implorando para que ele contestasse os resultados das presidenciais de 2020.

"Ajude este grande presidente a resistir, Mark!!! (...) A maioria das pessoas sabe que Biden e a esquerda tentam (fazer) o maior roubo da história".

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Nas mais de 20 mensagens enviadas entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, reveladas pelo jornal Washington Post, a conservadora Virginia Thomas pressiona o mais próximo conselheiro do presidente a bloquear a vitória de Joe Biden nas eleições.

Esta mulher de 65 anos, apelidada de "Ginni" por seus amigos, é a personagem mais recente de uma galeria de personalidades da capital americana, então persuadidos - como milhões de americanos - de que as eleições presidenciais de 2020 foram roubadas de Trump.

Mas "Ginni" também é esposa de Clarence Thomas, o juiz há mais tempo na mais alta corte dos Estados Unidos, encarregado de dirimir os grandes conflitos da sociedade americana... E os litígios eleitorais.

Por esse motivo, legisladores democratas lhe pediam nesta sexta que rejeitasse qualquer caso relacionado com as eleições.

Durante semanas, sua esposa detalhou a Meadows a estratégia a seguir para se manter no poder.

"Não conceda" a derrota, informou em uma mensagem ao alto funcionário da Casa Branca. "Falta tempo para a formação de um exército".

Com excesso de pontuação, "Ginni" interpelou diretamente Meadows. "Choro e rezo por vocês, rapazes!!!", escreveu.

O chefe de gabinete é menos eloquente em suas respostas, invocando a Deus para descrever os esforços para reverter o resultado da eleição.

A sexagenária também pressiona para que a advogada Sidney Powell seja a encarregada de conduzir a batalha contra estas supostas fraudes, muitas vezes desmentidas. "Mark (não quero acordá-lo)...", escreveu na manhã de 19 de novembro de 2020, "mas parece que Sidney e sua equipe estão cheios de provas de fraude".

Horas depois, a equipe jurídica de Trump celebrou uma coletiva de imprensa surpresa na qual Powell, usando um casaco de lantejoulas e estampa de leopardo, denunciou Venezuela, Cuba e os democratas por supostamente tramar um complô eleitoral.

O advogado do presidente, Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, denunciou, por sua vez, uma "escandalosa cortina de ferro de censura". Sob o calor dos projetores, um líquido escuro de tinta de cabelo escorreu em seu rosto.

As muitas mensagens de Virginia Thomas são hoje examinadas por uma comissão parlamentar encarregada de lançar luz sobre o papel de Trump e desta constelação conservadora nos eventos de 6 de janeiro de 2021, quando milhares de apoiadores do então presidente invadiram as ruas de Washington e atacaram o Congresso americano para tentar bloquear a certificação da vitória de Biden.

"Ginni" Thomas estava presente na manifestação, cercada de pessoas de todo o país. Ela assegurou ter ido embora antes do início dos atos de violência porque estava com muito frio.

cjc/ube/dl/atm/mvv

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