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Kiev aguarda sob toque de recolher ataque das tropas russas, que lançam 'bombas superpoderosas' em Mariupol

18:06 | Mar. 22, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Kiev, sob toque de recolher, está determinada a resistir ao ataque das tropas russas, que também mantêm o assédio sobre Mariupol, no sudeste da Ucrânia, atacada nesta terça-feira (22) com duas "bombas superpoderosas".

O avanço russo parece estagnado, segundo analistas ocidentais e ucranianos, e o presidente americano, Joe Biden, expressou temor com a possibilidade de Moscou aumentar a força dos ataques, recorrendo a armas químicas ou biológicas.

As potências ocidentais, relutantes em se envolver diretamente no conflito por medo de desencadear uma guerra global, se preparam para reforçar as sanções econômicas contra a Rússia.

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O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia só usará armas nucleares no contexto da guerra na Ucrânia se enfrentar uma "ameaça existencial".

"Temos uma doutrina de segurança interna, e ela é pública, você pode ler nela todas as razões para o uso de armas nucleares", declarou Peskov à CNN International. "Se é uma ameaça existencial ao nosso país, então pode ser usado de acordo com nossa doutrina".

Mais de 200.000 pessoas estão bloqueadas em Mariupol, descrita por aqueles que conseguiram fugir como um "inferno gelado repleto de cadáveres e edifícios destruídos", afirmou a organização Human Rights Watch, que citou um balanço divulgado por um funcionário do governo local.

"Sabemos que não haverá espaço suficiente para todos nesta terça-feira, mas vamos tentar concretizar a retirada até a saída de todos os habitantes de Mariupol", disse a vice-primeira-ministra Iryna Vereschuk.

Duas "bombas superpoderosas" caíram na cidade, indicaram as autoridades locais, sem publicar um balanço imediato dos danos.

As forças russas "não estão interessadas na cidade de Mariupol, querem arrasá-la, reduzi-la a cinzas", afirmaram as autoridades.

Para a evacuação foram elaboradas três rotas entre a cidade e Zaporizhzhia, a mais de 200 km de distância.

A localidade, às margens do Mar de Azov, é bombardeada sem trégua e mais de 2.000 pessoas morreram, segundo as autoridades locais.

A Rússia anunciou que Mariupol tinha até 5h00 de segunda-feira para rendição, mas a Ucrânia rejeitou o ultimato e afirmou que a resistência na cidade fortaleceu a defesa de toda a Ucrânia.

Kiev vive à espera dos próximos movimentos russos, sob um toque de recolher de um dia e meio imposto a partir da tarde de segunda-feira, o terceiro desde a invasão do país.

"Na pior das hipóteses, morreremos, mas nunca desistiremos", declarou o prefeito da capital, Vitali Kitschko, ao Conselho da Europa.

Maxim Kostetskyi, um advogado de 29 anos de Kiev, vê o toque de recolher "como uma pausa".

"Não sabemos se os russos continuarão tentando cercar a cidade, mas nos sentimos muito mais seguros, o moral está alto", disse à AFP este membro de uma unidade de voluntários.

Pelo menos uma pessoa foi morta em um ataque de drone a um instituto científico no noroeste da cidade, segundo a AFP, dois dias depois de oito pessoas falecerem no bombardeio de um centro comercial.

A Rússia justificou esse ataque alegando que o prédio estava sendo usado como depósito de armas.

Os especialistas ucranianos e ocidentais acreditam que a guerra não está evoluindo como o Kremlin havia planejado.

As forças russas estão ficando sem reservas, indicou o porta-voz do Pentágono, John Kirby, afirmando que os russos estão "frustrados" e "estagnados".

O comando militar da Ucrânia informou que as forças russas dispõe de munições, comida e combustível somente para três dias e garantiu que 300 soldados russos desertaram na região de Sumy (nordeste).

Inclusive nas regiões capturadas pela Rússia persiste a resistência.

As autoridades ucranianas acusaram as tropas russas de disparar contra manifestantes desarmadas na cidade ocupada de Kherson, no sul.

No leste, pelo menos doze civis morreram e 19 ficaram feridos em bombardeios russos realizados na segunda-feira à noite contra Adviinka, na região de Donetsk, informou Liudmiloa Denisova, encarregada de direitos humanos do Parlamento ucraniano.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu que os lados deem "uma chance à paz", parando "esta guerra absurda" e "impossível de ganhar".

"A Ucrânia não pode ser conquistada cidade por cidade, rua por rua, casa por casa", afirmou.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, convidou o Papa Francisco para mediar as conversas entre as partes.

O Kremlin considerou que as negociações deveriam ser "mais enérgicas, mais substanciais", segundo seu porta-voz, Dmitri Peskov.

Zelensky insistiu na segunda-feira na necessidade de se reunir pessoalmente com o presidente russo, Vladimir Putin, para colocar em andamento conversas em que "todas as questões" poderiam ser "abordadas", incluindo o status da península da Crimeia anexada à Rússia e as áreas separatistas pró-Rússia do Donbass (leste).

Joe Biden viajará a Bruxelas na quinta-feira para uma série de reuniões com líderes da Otan, da União Europeia (UE) e do G7 antes de ir para a Polônia, que recebeu a maioria dos 3,5 milhões de exilados ucranianos.

Os Estados Unidos e seus aliados europeus anunciarão na quinta-feira mais sanções contra a Rússia e o endurecimento das medidas já adotadas, disse o conselheiro de segurança nacional americano, Jake Sullivan.

Zelensky foi convidado a falar na cúpula da Otan por videoconferência.

Em nível nacional, o governo russo lançou uma campanha para controlar as informações publicadas sobre o conflito.

A Justiça abriu uma investigação contra um jornalista conhecido, Alexandre Nevzorov, por ter publicado "informações falsas sobre um bombardeio deliberado do exército russo contra uma maternidade de Mariupol", acusação punível com 15 anos de prisão.

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