Participamos do

Polícia lança gás lacrimogêneo contra comboio de protesto em Paris

15:01 | Fev. 12, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A polícia de Paris disparou gás lacrimogêneo e distribuiu centenas de multas no sábado (12) para dispersar um comboio de veículos que tentava bloquear o tráfego em um protesto contra as restrições ligadas à covid-19 e ao aumento do custo de vida.

Esta mobilização, que reuniu opositores da gestão anticovid do presidente francês, Emmanuel Macron, e os "coletes amarelos". Ela é inspirada no protesto que paralisa Ottawa, a capital do Canadá, contra as regras de vacinação pela pandemia.

Carros e caminhões saindo de Lille (norte), Estrasburgo (leste) ou Châteaubourg (oeste) iniciaram sua jornada para chegar a Paris na sexta-feira e passaram a noite acampando perto da cidade.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

A polícia, que havia proibido o protesto, agiu rapidamente para tentar liberar os carros nos pontos de entrada da cidade, impondo 283 multas por participação em uma manifestação não autorizada.

No entanto, mais de 100 veículos conseguiram chegar à famosa avenida Champs-Élysées, onde a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes em cenas que lembram os distúrbios antigovernamentais dos "coletes amarelos" de 2018-2019.

Os manifestantes se opõem ao passaporte da vacina anticovid, necessário para acessar muitos locais públicos. Mas alguns também saíram às ruas para protestar contra o aumento dos preços da energia e dos alimentos, questões que desencadearam os protestos dos "coletes amarelos".

Cerca de 7.200 policiais e gendarmes foram destacados, segundo as autoridades e veículos blindados da gendarmaria também foram mobilizados nas ruas parisienses.

O primeiro-ministro, Jean Castex, prometeu ser inflexível sobre esse movimento. "Se bloqueiam a circulação ou tentam bloquear a capital, temos que ser muito firmes", insistiu em uma aparição na rede de televisão France 2.

"O momento é importante, é algo pacífico. Não viemos aqui para quebrar nada", disse um manifestante de 40 anos, que falou sob condição de anonimato, a um jornalista da AFP em um comício em Fontainebleau, a cerca de 70 quilômetros de Paris.

Este artesão independente veio de uma cidade perto de Roanne, no centro da França, acompanhado de sua parceira, uma oculista que está desempregada devido à sua oposição à vacinação.

O casal quer denunciar as restrições sanitárias, mas também protestar contra o "baixo poder aquisitivo".

Macron fez um apelo à calma e admitiu que há um cansaço coletivo devido à situação que se arrasta há dois anos.

"Esse cansaço se expressa de diferentes maneiras: desespero em alguns, depressão em outros. Vemos um sofrimento mental muito forte, em jovens e não tão jovens. E às vezes esse cansaço se traduz em raiva. Eu entendo e respeito", disse Macron em uma entrevista ao jornal Ouest-France.

"Mas peço mais calma", acrescentou.

As autoridades esperavam que em toda a França, entre 25.000 e 30.000 pessoas se manifestassemm, número semelhante às mobilizações de outras semanas.

A proibição dos comboios foi ratificada nesta sexta-feira pela justiça, que rejeitou dois recursos.

Castex afirmou que o direito de manifestação é "um direito garantido constitucionalmente", mas negou que estivesse "bloqueando outros e impedindo-os de ir e vir".

Dois meses antes das eleições presidenciais na França, manifestantes exigem a retirada do certificado de vacina, que só permite a entrada de pessoas imunizadas em restaurantes, cinemas e outros locais e que o governo diz querer abolir até abril.

burx-ao/roc/dth/dbh-an/es/ap

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags