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Manifestantes resistem a liberar passagem na fronteira Canadá-EUA

14:21 | Fev. 12, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

Os manifestantes contrários às medidas sanitárias anticovid-19 no Canadá continuavam impedindo, neste sábado (12), a passagem em um importante eixo fronteiriço com os Estados Unidos, após desafiarem uma ordem judicial de despejo, duas semanas depois da irrupção de um protesto liderado por caminhoneiros, com reflexo em outros países.

Na manhã de hoje, policiais foram enviados para próximo da Ponte Ambassador para expulsar estes manifestantes, observou um jornalista da AFP.

"Pedimos a todos os manifestantes que ajam de maneira legal e pacífica", tuitou a polícia na cidade de Windsor, onde a ponte está localizada, ao anunciar o começo da operação e pedir aos moradores que evitassem se aproximar da área.

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Dezenas de agentes e veículos chegaram ao local após as 8h (10h em Brasília) e se posicionaram em frente aos cerca de 50 manifestantes instalados em seus caminhões e caminhonetes para bloquear a ponte que liga Windsor, em Ontário, à cidade americana de Detroit.

Em vigor desde segunda-feira, o bloqueio da Ponte Ambassador levou Washington a pressionar o primeiro-ministro Justin Trudeau a agir para resolver a crise.

A interrupção da circulação por este importante eixo fronteiriço já provocou sérias perturbações na indústria automobilística de ambos os lados da fronteira.

Apesar de um tribunal de Ontário ter ordenado sua liberação na sexta-feira, os manifestantes permaneciam no local na manhã deste sábado.

Muitos outros também se reuniram na capital, Ottawa, onde as ruas foram ocupadas nas últimas duas semanas por centenas de enormes caminhões e inspiraram mobilizações similares na França e na Nova Zelândia, por exemplo.

Na quinta-feira, Washington pediu ao governo canadense que usasse "poderes federais" para resolver a situação. E, na sexta, em um telefonema com Justin Trudeau, o presidente Joe Biden se referiu aos "graves efeitos" do bloqueio na economia americana.

Mais de 25% das mercadorias exportadas entre Estados Unidos e Canadá transitam pela ponte Ambassador.

Poucas horas depois, Trudeau disse que as fronteiras não permaneceriam bloqueadas e prometeu reforçar a ação da polícia.

O primeiro-ministro advertiu que "todas as opções" estão "sobre a mesa", embora tenha descartado o envio imediato do Exército, "uma solução de último, último recurso".

O primeiro-ministro da província de Ontário, conservador Doug Ford, declarou estado de emergência na sexta-feira (11).

"Tomaremos todas as medidas que forem necessárias para garantir a reabertura da fronteira. E, aos sitiados moradores de Ottawa, digo-lhes que vamos garantir que possam voltar à vida normal o mais rápido possível", declarou Ford, em entrevista coletiva.

Mais tarde, um juiz deu aos manifestantes, estimados em centenas, junto com várias dezenas de caminhões, até as 19h locais de sexta-feira (21h em Brasília) para que liberassem a ponte, anunciou o prefeito de Windsor, Drew Dilkens. Foi em vão.

Outras duas passagens de fronteira continuam bloqueadas: a de Emerson, que liga a província de Manitoba ao estado da Dakota do Norte, nos Estados Unidos; e outra, na província ocidental de Alberta.

A pressão dos Estados Unidos sobre Trudeau se somou à dos partidos de oposição canadenses, que acusam o primeiro-ministro de inação.

Trudeau deve "agir para que isso termine pacífica e rapidamente", disse Candice Bergen, líder interina do Partido Conservador.

"É inaceitável que um país do G7, um dos países mais poderosos do mundo, não aja, não mostre liderança para resolver esta situação", criticou Jagmeet Singh, líder do Novo Partido Democrático (NPD).

"O problema é que, inicialmente, Justin Trudeau jogou lenha na fogueira, ao colocar todos os manifestantes no mesmo saco. Depois, ficou em silêncio por cinco dias e agora não parece assumir a responsabilidade", afirmou Daniel Béland, cientista político da Universidade McGille, em Montreal.

O chamado "comboio da liberdade" começou no oeste do país como uma reação à exigência de que os caminhoneiros que cruzam a fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá sejam vacinados, façam teste para detecção de covid-19.

O movimento acabou se transformando em um protesto mais amplo contra as medidas sanitárias e o governo de Trudeau.

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