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'Já chega!' de violência, diz Biden em Nova York

18:34 | Fev. 03, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu um basta, nesta quinta-feira (3), em Nova York, à violência das armas que abala todo o país, em um encontro com o prefeito da cidade, impactada por vários homicídios, entre eles os de dois policiais.

"Já chega! Pois sabemos que podemos fazer algo contra isso", disse Biden diante de dezenas de autoridades da cidade e do estado de Nova York, reunidos na sede do departamento de polícia a convite do novo prefeito Eric Adams, partidário da linha dura contra a criminalidade, mas combinada com a adoção de programas sociais para preveni-la.

Até agora, ao menos 64 menores foram feridos com armas de fogo este ano no país, enquanto 26 perderam suas vidas, afirmou Biden, que chegou a Nova York acompanhado do procurador-geral Merrick Garland.

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Contudo, para além das estatísticas, a enorme presença de policiais nesta quarta-feira e na última sexta, durante os enterros de dois agentes assassinados no Harlem, que mostraram o descontentamento que existe em suas fileiras, é o que tem pressionado Eric Adams, um ex-policial afro-americano, e Biden.

Em linha com o programa apresentado por Adams na semana passada, baseado na "intervenção e na prevenção", o plano de Biden é injetar 500 bilhões de dólares nas cidades e estados para que haja mais polícia nas ruas e programas para prevenir a violência em nível comunitário, além de mais leis para combater o tráfico de armas.

Segundo o presidente, não se trata de "retirar recursos da polícia", mas de "dar-lhes ferramentas, formação, fundos, que sejam parceiros, protetores" porque "a comunidade precisa disso".

"Não estamos retirando recursos, estamos financiando e proporcionando serviços adicionais que são necessários, além de ter alguém com uma arma pendurada na cintura", comentou, antes de acrescentar que são necessários mais mais trabalhadores sociais e mais pessoal de saúde mental.

"Hoje estamos realizando uma estratégia integral para combater o crime em cidades como Nova York, Filadélfia, Atlanta, San Francisco e muitas outras", disse o presidente, que é criticado pela ala mais à esquerda de seu partido e pela oposição republicana.

Biden garantiu que a prioridade é "combater o fluxo de armas", em particular as chamadas "armas fantasma", que podem ser adquiridas em partes e montadas em casa, sem número de série, o que faz com que elas não existam oficialmente.

Além disso, trata-se de elaborar, como está fazendo um grupo de estados do nordeste do país por iniciativa da governadora de Nova York Kathy Hochul, uma estratégia para interromper a chagada de armas pela denominada "Iron Pipeline", uma rota de contrabando procedente do sul do país, onde os estados são mais brandos em relação às armas.

Até agora, os crimes graves em Nova York aumentaram 38% este ano, com picos na maioria das principais áreas urbanas. Um estudo divulgado em janeiro pelo Conselho de Justiça Criminal mostrou que o número de homicídios aumentou 5% em 22 cidades em 2021, na comparação com 2020, e 44%, em relação a 2019.

Sejam os roubos de carros na capital Washington ou os saques violentos em grandes armazéns de San Francisco, os noticiários revelam uma imagem lúgubre de um país que luta para recuperar o equilíbrio após os efeitos devastadores da pandemia de covid-19.

Especialistas vinculam a onda de crimes - que não altera o fato de que as cidades americanas são, em geral, mais seguras hoje do que nas décadas de 1980 e 1990 - à crise social decorrente da pandemia, assim como ao impacto, nas forças da ordem, de uma série de detenções desastrosas, nas quais cidadãos negros foram assassinados, ou gravemente feridos.

A culpa recai, no entanto, cada vez mais sobre Biden. Segundo uma pesquisa ABC/Ipsos divulgada na semana passada, 69% dos americanos desaprovam as políticas de Biden sobre violência armada, e 64%, sua forma de lidar com a criminalidade.

"Nossas cidades são zonas de guerra, nosso país está em crise e os policiais são perseguidos nas ruas. Onde está você, senhor presidente?", questionou o vice-presidente nacional da Ordem Fraternal da Polícia, Joe Gamaldi, em entrevista à emissora Fox News na semana passada.

Biden está sob pressão não apenas da direita, que o acusa de ser fraco no combate à criminalidade, mas também da esquerda, que quer reformas e até o fim de departamentos de polícia, na esteira do movimento 'Black Lives Matter'.

Na expectativa para retomar o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato que acontecem em novembro, os republicanos consideram que culpar Biden e os democratas por "retirar os recursos da polícia" vai dar-lhes crédito.

Associar-se com Adams, no entanto, pode dar ao presidente democrata a chance de mostrar que ele pode ficar no meio-termo entre seus partidários e os críticos de direita.

"Precisamos de uma reforma da Justiça na cidade e no país, mas não deveríamos fazê-lo em detrimento da segurança pública", disse Adams nesta quinta-feira à emissora CBS.

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