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Xiomara Castro tomará posse em Honduras em plena crise política

09:13 | Jan. 25, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A esquerdista Xiomara Castro se tornará, na quinta-feira (27), a primeira mulher a governar Honduras, com sua liderança posta à prova por um grupo de deputados rebeldes que ameaçam seus planos de combate à corrupção, tráfico de drogas e pobreza.

Castro, de 62 anos, esposa do presidente deposto Manuel Zelaya, venceu as eleições de 28 de novembro com uma coalizão liderada por seu partido, Liberdade e Refundação (Livre), derrotando o direitista Partido Nacional, do presidente Juan Orlando Hernández.

Castro propõe mudanças profundas em um país onde 71% de seus quase 10 milhões de habitantes vivem na pobreza, segundo a ONG Fórum Social da Dívida Externa e Desenvolvimento de Honduras (Fosdeh).

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"Quatro em cada dez habitantes não têm recursos nem para comprar um prato de comida por dia", explicou Fosdeh em um relatório.

Há também uma alta taxa de homicídios - quase 40 por 100.000 habitantes - provocada por cartéis de drogas e gangues.

Somam-se a isso fenômenos climáticos, intensificados pelo aquecimento global e que causam enormes prejuízos.

Toda essa adversidade gera fortes correntes migratórias em direção aos Estados Unidos em busca de emprego.

Para resolver esses problemas, a presidente precisará do apoio do Parlamento, que mesmo antes de sua posse já se mostra arredio, embora o analista, Víctor Meza, ex-diretor do Centro de Documentação da ONG (Cedoh) e ex-ministro de Zelaya, acredite que vai recuperá-lo.

"Acredito que Xiomara (...) vai ter um Congresso leal, que vai acompanhá-la porque ela precisa de um Congresso forte para recuperar o quadro institucional, o Estado de Direito", sublinhou Meza.

A crise começou na sexta-feira, quando um grupo de parlamentares do Livre rejeitou a proposta da presidente eleita de nomear como presidente do Congresso Luis Redondo, do grupo aliado Partido Salvador de Honduras (PSH), cujo apoio foi fundamental para sua vitória.

Uma dezena de dissidentes do Livre decidiu apoiar Jorge Cálix como chefe do Parlamento, cuja candidatura contou com o apoio do PN e de outras bancadas de oposição a Castro, numa sessão realizada entre gritos e pancadas.

No domingo, em reuniões paralelas, Redondo foi eleito no edifício do Parlamento, mas com uma maioria de deputados suplentes, enquanto Cálix o fez com 79 dos 128 deputados titulares, num clube.

O Livre expulsou os dissidentes.

Tudo sob o olhar atento dos Estados Unidos, que já demonstrou seu apoio a Castro no mais alto nível. A própria vice-presidente Kamala Harris estará presente na posse, que acontecerá no Estádio Nacional de Tegucigalpa.

Segundo fontes próximas às negociações, os partidos avaliam a possibilidade de um terceiro candidato de consenso. Mas alguns membros da nova coalizão de governo ainda precisam ser convencidos.

Castro convidou Redondo para colocar a faixa presidencial. Mas se até quinta-feira a presidência do Parlamento não for definida, um juiz pode fazê-lo, de acordo com a lei.

Na segunda-feira circulou uma versão do Diário Oficial reconhecendo Redondo como presidente do Congresso. Mas a gerente da Companhia Nacional de Artes Gráficas, Thelma Neda, disse que foi feita sem autorização.

Castro acusa os dissidentes de se aliarem ao Partido Nacional de Hernández para impedir as transformações que prometeu na campanha, incluindo a recuperação de leis contra a impunidade, desmanteladas pelo governo cessante.

Hernández foi acusado pela Justiça de Nova York de manter ligações com o tráfico de drogas. Seu irmão, o ex-deputado Juan Antonio "Tony" Hernández, está cumprindo pena de prisão perpétua nos Estados Unidos por esse crime. Ambos negam as acusações.

Em meio à crise, Castro recebeu o apoio das influentes Forças Armadas e da Polícia Nacional.

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