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Voto em branco domina primeiro dia de eleições presidenciais na Itália

19:48 | Jan. 24, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

O voto em branco dominou nesta segunda-feira (24) a primeira rodada de votações no Parlamento da Itália para eleger um novo presidente da República, uma eleição marcada pela incerteza, na qual o atual primeiro-ministro Mario Draghi é um dos favoritos.

Mais de mil "grandes eleitores" (321 senadores, 629 deputados e 58 representantes de 20 regiões) foram convocados para eleger o novo presidente, cujo mandato dura sete anos.

A cédula branca imperou no primeiro dia, já que os líderes dos partidos não chegaram a um acordo sobre o sucessor de Sergio Mattarella, cujo mandato acaba em 3 de fevereiro.

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As duas maiores coligações de esquerda e direita, que não têm maioria parlamentar, decidiram votar em branco, totalizando 672 cédulas.

O líder da ultradireitista Liga, Matteo Salvini, do partido com maior número de parlamentares, se reuniu nesta segunda-feira separadamente com os líderes do Partido Democrático (PD, esquerda), do antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S) e do direitista Irmãos da Itália, além de Draghi, para tentar propor uma personalidade com amplo consenso.

"O diálogo foi aberto. Trabalhamos por um nome", anunciaram em comunicado conjunto os líderes da Liga e do PD, formações historicamente rivais.

As funções do presidente são essencialmente honorárias na Itália, onde rege o sistema parlamentar, portanto para o cargo costuma-se escolher uma personalidade renomada, com capacidades notáveis de mediação e que esteja acima dos partidos.

Nas três primeiras rodadas de votação é necessária uma maioria de dois terços, mas a partir da quarta rodada de votações é suficiente uma maioria simples.

A votação ocorre mediante voto secreto e não há dúvidas que vai durar vários dias.

No passado, não faltaram surpresas, tanto que as eleições para presidente na Itália costumam ser comparadas aos conclaves para a eleição do papa.

Devido às medidas sanitárias pela covid, cada rodada vai durar apenas um dia e os que se infectarem com o vírus tiveram uma mesa de votação externa especial, no estacionamento do Parlamento.

Segundo o canal de televisão La7, entre 12 a 15 parlamentares testaram positivo.

A incerteza cresceu após a retirada da candidatura no sábado do ex-primeiro-ministro e magnata das comunicações Silvio Berlusconi, de 85 anos, que lançou uma campanha original seduzindo por telefone os parlamentares indecisos com piadas e promessas.

Il Cavaliere está hospitalizado para fazer exames "de rotina", por isso desapareceu de fato da cena política.

Draghi, de 74 anos, é o principal candidato, mas sua eleição abriria uma fase de instabilidade política.

Eixo crucial da ampla coalizão que vai da direita à esquerda, o que lhe garantiu obter fundos colossais da União Europeia, o economista deu ao país um prestígio internacional que acreditava-se estar perdido.

Mas sua eleição deixaria o posto de primeiro-ministro vago, portanto muitos preferem que permaneça no cargo até as eleições legislativas de 2023, já que temem eleições antecipadas.

Investidores internacionais também temem que a Itália, endividada, fique para trás em um rigoroso calendário de reformas se Draghi renunciar como primeiro-ministro.

A imprensa italiana cita há semanas nomes de candidatos além de Draghi para suceder Sergio Mattarella, de 80 anos, no Palácio do Quirinal, a sede da Presidência.

Entre os nomes que os setores progressistas lançaram neste fim de semana está o católico Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, próximo ao papa Francisco e conhecido por sua política em favor dos migrantes e por ter mediado inúmeros conflitos internacionais.

Observadores calculam que antes de quinta-feira, quando ocorrerá a quarta rodada e será necessária apenas uma maioria simples para vencer, o candidato mais provável aparecerá.

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