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Covid e dificuldade na indústria seguram retomada da economia alemã

12:34 | Jan. 14, 2022
Autor AFP
Tipo Notícia

A Alemanha viu frustradas suas expectativas de uma forte recuperação econômica em 2021, devido à escassez de insumos industriais e à interminável crise sanitária mundial, ficando na lanterna dos países europeus.

A principal economia europeia registrou um leve aumento de 2,7% em seu Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, de acordo com dados preliminares do instituto de estatística Destatis divulgados nesta sexta-feira (14).

"As grandes expectativas do início de 2021 sobre a conjuntura alemã se cumpriram apenas parcialmente", resumiu Fritzi Köhler-Geib, economista-chefe do banco público KFW.

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Otimistas em um primeiro momento, as projeções de crescimento foram revisadas para baixo em várias ocasiões ao longo do ano.

Devido ao "aumento das dificuldades de abastecimento e de material", à "quarta onda da covid-19" e a "um novo reforço das medidas de proteção por parte do governo", a recuperação econômica em 2021 não foi a que se esperava, disseram os economistas Destatis em entrevista coletiva.

O crescimento de 2021 "não é suficiente para recuperar o forte retrocesso registrado na primeira onda de coronavírus", e a criação de valor agregado continua sendo "inferior a 2,1%", seu nível na pré-pandemia, acrescentaram.

Estes dados são quase humilhantes frente ao crescimento de 5% esperado no conjunto da União Europeia (UE), segundo as últimas projeções da Comissão Europeia. Antecipa-se uma expansão de 6,5% na França, e de 6,2%, na Itália.

Essa situação complica a vida da coalizão de governo liderada pelo socialdemocrata Olaf Scholz. Ele assumiu o governo em dezembro, com uma lista de projetos importantes, para os quais será preciso encontrar financiamento.

"2021 foi muito decepcionante para a Alemanha", disse à AFP o economista Carsten Brzeski, do banco ING.

Uma decepção que se explica pelos problemas de abastecimento de matérias-primas e de componentes, aos quais se somou, no fim do ano, uma nova onda da pandemia provocada pela variante ômicron.

A crise sanitária teve um forte impacto no setor de serviços, onde "há cada vez menos reservas, os lucros diminuem, e os investimentos se desaceleram", resumiu o ministro alemão da Economia, Robert Habeck, na quinta-feira (13).

Motor da economia alemã, o setor industrial foi atingida pela escassez de matérias-primas e de insumos, um quadro que não dá sinais de acabar.

O estratégico setor automotivo registra uma forte demanda reprimida de semicondutores, essenciais para a fabricação de automóveis.

Em 2021, a compra de veículos novos recuou 10,1%, em relação ao já historicamente deprimido ano de 2020. E não se antecipa qualquer reversão de curto prazo.

"Temos que ser claros: a crise dos semicondutores está longe de ter terminado", declarou o CEO da fabricante de equipamentos automotivos Bosch, Stefan Hartung, em recente entrevista publicada na revista Focus.

Essa escassez é o combustível de uma inflação recorde, igualmente alimentada pela disparada dos preços da energia, afetando o ânimo de consumidores já atingidos pela pandemia.

Esta conjuntura pode reduzir a margem de manobra da atual coalizão de governo, formada por social-democratas, ecologistas e liberais, na hora de tentar obter os investimentos bilionários para modernizar a economia do país, com produções mais "verdes".

Ainda assim, o governo aprovou, no final do ano, uma extensão de 60 bilhões de euros no orçamento, para projetos relacionados com a luta contra as mudanças climáticas.

E prevê o restabelecimento progressivo da situação, que, segundo o Bundesbank (o Banco Central alemão), deve começar na "próxima primavera" boreal (outono no Brasil).

O instituto IFO prevê um crescimento de 3,7% em 2022.

"Quando a ômicron passar, e os problemas de abastecimento forem resolvidos, a economia alemã voltará a ser a locomotiva da zona do euro", afirmou Carsten Brzeski, do ING.

O superministro da Indústria e do Clima, o ecologista Robert Habeck, pretende modificar a percepção de que o PIB é o dado determinante de uma política econômica.

Habeck espera a inclusão de outros critérios como chave do sucesso, como "a preservação dos recursos naturais" e "a proteção do clima", de acordo com a revista Der Spiegel.

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