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Número de jornalistas presos no mundo bate novo recorde em 2021

Comitê para a Proteção de Jornalistas constata crescente intolerância à informação independente e menor indignação pública em meio à pandemia. Na América Latina, ONG vê "declínio perturbador" da liberdade de imprensa
00:03 | Dez. 11, 2021
Autor DW
Tipo Notícia

O total de jornalistas detidos no exercício da profissão atingiu este ano um novo recorde, chegando a 293 em todo o mundo, denunciou nessa quinta-feira, 9, o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ). Esse é o número mais elevado desde que o organismo, sediado em Nova York, começou a recolher dados estatísticos, no início da década de 1990. No ano passado eram 280, número que também havia sido recorde.

Do total, 50 estão presos na China, com a particularidade de, pela primeira vez, haver vários pessoas também em Hong Kong. Um deles é o magnata da imprensa Jimmy Lai, fundador do Apple Daily, detido no âmbito da lei da segurança nacional imposta por Pequim ao território no ano passado.

As causas para o elevado número de detidos, que nos últimos seis anos sempre ficou acima de 250, são uma crescente intolerância à informação independente e uma maior tendência entre líderes autocráticos de "ignorarem o processo legal" e "desprezarem as normas internacionais para se manterem no poder", afirmou a organização. Além disso, devido à preocupação global com a pandemia de Covid-19 e as alterações climáticas, "os governos repressivos estão claramente conscientes de que a indignação pública por violações dos direitos humanos é amortecida e que os governos democráticos têm menos apetite para represálias políticas ou econômicas".

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Declínio da liberdade de imprensa na América Latina

Myanmar, ausente da lista há um ano, está em segundo lugar, após o golpe militar de fevereiro e a perseguição aos meios de comunicação independentes, com 26 pessoas detidas identificadas como jornalistas, embora a situação "seja pior do que esse total sugere", apontou o CPJ.

Entre os países que mais prendem jornalistas estão Egito (25), Vietnã (23), Belarus (19), Turquia (18), Eritreia (16), Arábia Saudita (14), Rússia (14), Irã (11) e Etiópia (9).

Belarus tem o maior número de jornalistas presos desde o início da coleta de dados, em 1992, por causa das "medidas extremas" adotadas pelo presidente Alexander Lukashenko, o que inclui o desvio de um avião para a detenção do jornalista Roman Protasevich, em maio.

A Etiópia, onde uma guerra civil opõe as forças governamentais e a Frente de Libertação do Povo Tigray, também é motivo de preocupação, sofrendo este ano o "maior revés" da liberdade de imprensa na África subsaariana, com nove jornalistas detidos.

Na América Latina há um total de seis jornalistas presos – três em Cuba, dois na Nicarágua e um no Brasil –, um número "relativamente baixo", disse a organização, advertindo no entanto para o "declínio perturbador da liberdade de imprensa na região", que se manifesta também no assassinato de jornalistas. O brasileiro na lista é Paulo Cezar de Andrade Prado, dono do Blog do Paulinho. Ele foi preso em setembro de 2021 e sentenciado a cinco meses de prisão pelo crime de difamação contra Paulo Garcia, proprietário da Kalunga e ex-vice-presidente do Corinthians. as/lf (Lusa, OTS)

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