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Freiburg – o pequeno grande clube da Floresta Negra está de mudança

00:02 | Nov. 22, 2021
Autor DW
Tipo Notícia

Chamado de "caixinha de jóias", estádio do pequeno time que vem se destacando na Bundesliga dará lugar a arena ultramoderna. Não faltaram fortes emoções na despedida, especialmente por parte do técnico Christian Streich.O técnico Christian Streich assumiu o comando técnico do SC Freiburg em dezembro de 2011, e desde então o time se caracteriza por sua estabilidade, deixando uma excelente impressão à sua torcida e também aos jornalistas esportivos. Especialmente na campanha dos anos 2012/2013, quando o clube acabou ficando em 5º lugar na tabela da Bundesliga e se classificou para a Europa League, o trabalho do treinador rendeu bons frutos. Logo em seguida, porém, veio a fatídica temporada 14/15, durante a qual por demasiado tempo o Freiburg flertou com o rebaixamento. Na penúltima rodada, o clube recebia a visita do Bayern de Munique. Estava em 15º lugar na tabela com a mesma pontuação de Hannover e Paderborn. Era preciso vencer a todo custo para decidir a sua sorte na última rodada. E não é que o "sonho impossível" virou realidade? Vitória por 2x1 sobre os bávaros e viagem marcada para jogar de peito estufado contra o Hannover. O Freiburg estava em 14º lugar, e bastava um empate com o Hannover para se garantir na Bundesliga. Sobreveio, porém, o amargo pesadelo. Uma derrota por 1x2 decretou o fim do sonho e despachou o pequeno grande clube da Floresta Negra para a segunda divisão. Foi o mais amargo momento desde que Streich tinha assumido o posto de técnico no Freiburg. Durante a coletiva de imprensa depois do jogo, ele não conteve as lágrimas, e seu assessor de imprensa o levou para fora do recinto. Só teve tempo de dizer: "Este é um pequeno clube na aparência, mas é muito grande na sua essência." Após o baque, a recuperação Para Streich, para o clube e para a massa torcedora, esse rebaixamento abriu uma ferida que incomoda até hoje, mas com o tempo, ela foi curada, e o Freiburg voltou logo à primeira divisão. Em vez de flertar com rebaixamentos, flertou com vaga na Europa League em 2017 e 2020, exatamente como está acontecendo na atual temporada. O Freiburg, pelo menos nesse começo de campeonato, faz uma excelente campanha, com três vitórias e três empates. É o único invicto juntamente com o Bayern. Todos os outros 16 times já perderam pelo menos uma vez. Está em 5º lugar na classificação geral com a mesma quantidade de pontos, pasmem, que tem o Borussia Dortmund. Novamente o horizonte europeu aparece no radar do clube da Floresta Negra, e se o Freiburg conseguir realmente uma vaga para a Europa League, vai receber seus adversários numa arena novinha em folha. A sua inauguração está prevista para o próximo jogo do Freiburg em casa no dia 16 de outubro contra o Leipzig. Despedida emotiva Neste último fim de semana, depois de 67 anos, o tradicional Dreisamstadion viu pela última vez um jogo da primeira divisão, e o dono da casa se despediu com uma exibição de gala ao impor um sonoro 3x0 ao Augsburg. A assim chamada "pequena caixinha de jóias", com sua típica construção quadrangular de quatro blocos de arquibancadas, cederá lugar à uma arena ultramoderna – o Europa Park Stadion – com capacidade para 34.700 espectadores, dos quais, seguindo a velha tradição do futebol alemão, 12.400 (36%) são para aqueles que preferem ver um jogo de futebol em pé. Não faltaram fortes emoções na despedida. Afinal, o pequeno estádio foi palco de mais de 750 jogos da 1ª e da 2ª divisão. Times de fora, quando vinham jogar com o Freiburg, odiavam essa mini-arena. O campo era um pouco menor do que a norma prescrita e, além disso, de um gol ao outro havia um desnível de mais ou menos um metro. À cada temporada, o clube precisava obter uma licença especial para mandar seus jogos por lá. Especialmente para Christian Streich foi uma despedida muito emotiva. Afinal, o técnico está no clube desde 1995 quando começou como treinador do time sub-15. Passou por todas as categorias dos times de base para finalmente assumir o comando da equipe principal em dezembro de 2011. Durante todos esses 26 anos no clube, Streich desenvolveu uma forte ligação simbiótica com o Dreisamstadion e despedir-se dele não lhe foi fácil. Depois do apito final do jogo contra o Augsburg, Streich foi para a tribuna norte, "quartel general" dos ultras. De máscara, com megafone e lágrimas nos olhos: "Devo muito à essa torcida. Na alegria e na tristeza, sempre nos apoiou e nos deu muita força. Vou me despedir do nosso velho campo junto com os fãs." E assim fez. ________________________ Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Atuou nos canais ESPN como especialista em futebol alemão de 2002 a 2020, quando passou a comentar os jogos da Bundesliga para a OneFootball de Berlim. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit é publicada às terças-feiras. O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW. Autor: Gerd Wenzel

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