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Milhares de etíopes fogem dos combates e se abrigam no Sudão

Ambas as regiões estão há décadas envolvidas em um conflito territorial, reavivado pelos confrontos em Tigré desde o final de 2020

08:27 | 27/07/2021
Militares recém-recrutados se reúnem durante uma cerimônia de despedida de novos recrutas que ingressam na força militar etíope em Tigray (Foto: Amanuel Sileshi / AFP)
Militares recém-recrutados se reúnem durante uma cerimônia de despedida de novos recrutas que ingressam na força militar etíope em Tigray (Foto: Amanuel Sileshi / AFP)

Cerca de 3.000 etíopes cruzaram na segunda-feira (26) a fronteira com o Sudão, procedentes da região etíope de Amhara (norte), vizinha da zona do Tigré, devastada pela guerra - anunciou o governo sudanês.

 

Ambas as regiões estão há décadas envolvidas em um conflito territorial, reavivado pelos confrontos em Tigré desde o final de 2020.

 

"Três mil pessoas da tribo Qemant cruzaram a fronteira" na altura de Taya, na localidade de Basenda, informa um relatório do governo sudanês, ao qual a AFP teve acesso.

 

Basenda fica na disputada zona de Al Fashaga, no estado de Gadarif (leste do Sudão), onde a instalação de agricultores etíopes protagoniza um litígio fronteiriço há décadas.

 

No domingo (25), o presidente da região de Amhara, Agegnehu Teshager, convocou todos os seus cidadãos armados para lutarem contra os rebeldes da vizinha Tigré, referindo-se a uma "campanha de sobrevivência".

 

Em novembro de 2020, após meses de tensão, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou o Exército federal para Tigré para destituir as autoridades regionais da Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF).

 

No final de novembro, ele declarou vitória, após tomar a capital regional, Mekele. Os combates continuaram e, em junho, os rebeldes pró-TPLF haviam recuperado a maior parte da região, incluindo Mekele.

 

A guerra deixou milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados. Segundo a ONU, a fome afeta pelo menos 350 mil pessoas na região, algo que o governo etíope nega.