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Polícia de Hong Kong prende executivos durante operação em jornal pró-democracia

Baseadas em uma drástica lei de segurança nacional, as detenções representam o último revés para o popular tabloide e seu proprietário, o bilionário Jimmy Lai, que já estava preso

07:54 | 17/06/2021
Redação do Apple Daily em Hong Kong em 17 de junho de 2021, depois que a polícia de Hong Kong prendeu o editor-chefe e quatro executivos do jornal pró-democracia      Caption (Foto: Anthony WALLACE / AFP)
Redação do Apple Daily em Hong Kong em 17 de junho de 2021, depois que a polícia de Hong Kong prendeu o editor-chefe e quatro executivos do jornal pró-democracia Caption (Foto: Anthony WALLACE / AFP)

A polícia de Hong Kong fez uma operação nesta quinta-feira (17), pela segunda vez em menos de um ano, na redação do jornal pró-democracia Apple Daily e prendeu cinco executivos, incluindo o diretor de redação da publicação, que alertou que a liberdade de imprensa no território "está por um fio".

 

Baseadas em uma drástica lei de segurança nacional, as detenções representam o último revés para o popular tabloide e seu proprietário, o bilionário Jimmy Lai, que já estava preso.

 

Mais de 500 policiais participaram da operação, relacionada a artigos publicados pelo Apple Daily que pediam "sanções" contra Hong Kong e as autoridades chinesas, segundo a força de segurança.

 

Esta é a primeira vez que o conteúdo de um artigo motiva detenções com base na lei de segurança nacional imposta no ano passado por Pequim.

 

Em uma mensagem aos leitores, o Apple Daily afirma que a "proteção da liberdade de imprensa em Hong Kong está por um fio".

 

"Todos os membros do Apple Daily permanecem de pé e firmes", completou o jornal.

 

O sindicato de jornalistas da publicação classificou a operação de "violação gratuita da liberdade de imprensa, que reflete a maneira como o poder da polícia aumentou no âmbito da lei".

 

Os cinco executivos foram detidos por "conspiração com um país estrangeiro, ou com elementos externos para colocar em perigo a segurança nacional", segundo a polícia.

 

As autoridades congelaram bens do Apple Daily avaliados em 2,3 milhões de dólares.

 

O jornal é considerado um problema por Pequim e apoia abertamente o movimento pró-democracia na cidade.

 

Entre as pessoas detidas estão o diretor de redação, Ryan Law, e o diretor-geral, Cheung Kim-hung.

 

O Apple Daily transmitiu a operação policial ao vivo em sua página do Facebook. As imagens mostraram o momento em que os policiais isolaram o complexo e entraram no edifício.

 

"Eles chegaram por volta das 7h, nosso edifício está fechado", afirmou um jornalista não identificado na transmissão. "Agora podemos observar que estão levando caixas de material para o caminhão".

 

"A polícia nos impede de usar vários equipamentos, mas podemos manter conectada a câmera ao vivo e nosso site continuará sendo atualizado", completou o jornalista.

 

A lei de segurança nacional que entrou em vigor em junho de 2020 é a ponta de lança da repressão generalizada aos críticos da China em Hong Kong desde as grandes manifestações pró-democracia de 2019.

 

A legislação criminalizou grande parte da oposição e deu às autoridades amplos poderes de investigação.

 

As pessoas condenadas sob a nova lei podem receber penas de prisão perpétua. A maioria tem a liberdade sob fiança negada após a detenção.

 

Com a operação desta quinta-feira, esta é a segunda vez em menos de um ano que a polícia entra na redação do Apple Daily.

 

O proprietário do jornal, Lai, de 73 anos, foi acusado de conspiração após uma operação em agosto do ano passado. Ele cumpre atualmente várias sentenças de prisão por participar das manifestações pró-democracia que abalaram Hong Kong em 2019.

 

Pequim não esconde o desejo de silenciar o jornal. Com frequência, a imprensa estatal chama Lai de "traidor".

 

Mais de 100 pessoas foram detidas com base na lei, incluindo alguns dos ativistas pró-democracia mais conhecidos da cidade, enquanto outros fugiram para o exterior.

 

A China afirma que a lei é necessária para devolver a estabilidade a Hong Kong, mas os críticos, incluindo vários países ocidentais, alegam que a repressão acabou com a promessa chinesa de que a cidade permaneceria com certas liberdades e autonomia após sua devolução a Pequim em 1997.

 

No mês passado, em uma entrevista à AFP, o diretor de redação Ryan Law se mostrou desafiante.

 

Ele admitiu que o jornal estava em crise desde a detenção do proprietário, mas afirmou que os jornalistas estavam decididos a manter a publicação.

 

Em uma reunião recente, a equipe consultou Law para saber o que deveria fazer caso ele fosse detido pela polícia.

 

Ele respondeu apenas: "Transmitam ao vivo".