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Global Media Forum aborda efeitos da desinformação

00:02 | 15/06/2021
Conferência internacional de mídia organizada pela DW abre espaço para o debate sobre a importância da informação de qualidade em tempos de fake news e populismo.Sob o lema "Disruption and Innovation" (disrupção e inovação), a Deutsche Welle realiza nestas segunda (14/06) e terça-feira o Global Media Forum, a maior conferência de mídia da Alemanha. Em um ano sem precedentes, a 14ª edição do evento, totalmente online, analisa em profundidade o papel do jornalismo na era de desinformação – e se ele pode encontrar uma maneira de conduzir as coisas na direção da verdade e da precisão. Vários palestrantes de alto nível da Alemanha participam do evento, incluindo a chanceler federal Angela Merkel e seus possíveis sucessores Armin Laschet, dos conservadores, e Annalena Baerbock, do Partido Verde. Várias outras figuras renomadas, oriundas da sociedade civil, da cultura e do mundo acadêmico, foram convidadas, incluindo a CEO do Rappler, Maria Ressa, o historiador americano Timothy Snyder, o cientista cognitivo Steven Pinker e a Nobel da Paz Leymah Gbowee. O poder das mídias sociais Entre os convidados está também Felipe Neto, o influenciador digital que se tornou uma das vozes mais ativas contra o governo de Jair Bolsonaro. "Quando estamos diante do fascismo e dos fascistas, todos que decidem ficar em silêncio são cúmplices deste regime fascista", disse ele à DW. Com 41 milhões de inscritos em seu canal do Youtube, Felipe Neto conhece o poder das mídias sociais. "Se você é seguido por um milhão de pessoas, então um milhão de pessoas podem ser mal informadas se você disser uma mentira ou disser algo apenas de sua cabeça, sem pesquisar. Essa é basicamente uma responsabilidade que eu levo muito a sério", disse ele. Simon Kolawole concorda que as grandes plataformas sociais como Twitter e Facebook são uma faca de dois gumes para informações em massa. "As mídias sociais podem ser usadas como uma força para o bem e para o mal. As grandes plataformas, como Twitter e Facebook, ajudaram muito na distribuição e ampliação das reportagens de mídia profissional, mas também proporcionaram maior espaço para as multidões se reunirem", comenta o nigeriano. O quadro dos palestrantes do GMF também inclui representantes de empresas de mídia social, como Jesper Doub, diretor de parcerias de notícias do Facebook, e Philip Justus, vice-presidente da Google para a Europa Central. Criando um espaço seguro para jornalistas Outra preocupação crescente no jornalismo, especialmente no que diz respeito à influência de tecnologias como as mídias sociais e a vigilância, é a da segurança pessoal – não apenas de ataques físicos e assédio, mas também de processos judiciais. Irene Khan, convidada a falar sobre a liberdade de imprensa, teme pela vida dos jornalistas – especialmente das mulheres. Como relatora especial da ONU para a promoção e proteção do direito à liberdade de expressão, ela observou uma tendência preocupante, e está lutando para revertê-la. "Os jornalistas confiam no acesso a fontes que se sentem suficientemente seguras para compartilhar informações sobre assuntos sensíveis. Com muita frequência, jornalistas sofrem represálias por seu trabalho de investigação, e muitas vezes são forçados a revelar suas fontes – que então também são frequentemente assediadas, atacadas, processadas", diz a escritora e ativista de Bangladesh. Outro orador que pesa sobre o tema envolvendo ataques à liberdade de expressão e a necessidade de diversas vozes na mídia é a romancista turco-britânica Elif Shafak. "Vinda de um país como a Turquia, eu sei que as palavras podem ser pesadas por causa de algo que você diz em uma entrevista. Por causa de algo que você escreve em um livro, você pode ser julgado, pode ser demonizado, pode ser atacado e visado pela mídia social e pela mídia", diz. O Global Media Forum deste ano também se concentrará em soluções para impulsionar o jornalismo. Uma tendência, pelo menos no que diz respeito à Europa, será o fortalecimento das emissoras públicas, diz Noel Curran, diretor-geral da União Europeia de Radiodifusão (EBU). "Durante o lockdown, a mídia de serviço público se intensificou, fornecendo notícias confiáveis, educação e entretenimento muito necessário. Os números de audiência mostram que o público se voltou para nossos membros em grande número", afirma. O evento deste ano é online e gratuito. Cliqueaquipara ter acesso.
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