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"El Patrón", narcotraficante colombiano preso no Ceará, é extraditado para os Estados Unidos

Procurado pela Interpol, Guillermo Amaya Ñungo era responsável por capitanear o transporte de cocaína entre Colômbia e Estados Unidos. Ele havia sido preso em Fortaleza em setembro de 2019

Luiza Ester
23:21 | 06/06/2021
O colombiano era ex-membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) (Foto: Divulgação)
O colombiano era ex-membro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) (Foto: Divulgação)

O colombiano Guillermo Amaya Ñungo, de 57 anos, preso em Fortaleza em setembro de 2019, foi extraditado pela Polícia Federal na última sexta-feira, 4, para os Estados Unidos. Pelo seu poder e influência no tráfico de drogas colombiano, era conhecido como "El Patrón".

A operação para levar El Patrón aos Estados Unidos foi realizada sigilosamente e só divulgada neste domingo em nota da PF. Duas imagens repassadas à imprensa mostram apenas a aeronave norte-americana na pista do Aeroporto Internacional de Fortaleza, com policiais brasileiros e americanos, mas sem nenhum registro do narcotraficante.

Mencionado nas listas da Interpol, Guillermo é acusado de cometer crimes em pelo menos três países, principalmente o tráfico de cocaína em grandes quantidades. Brasil e EUA possuem acordo de extradição, o que permitiu o envio do colombiano para responder aos crimes em solo americano.

Segundo as autoridades estadunidenses, El Patrón era responsável por um complexo esquema de transporte de cocaína entre Colômbia e Estados Unidos, passando pela América Central. Para a remessa das cargas de drogas, teria usado aeronaves e pistas de pouso clandestinas. Ele será julgado e poderá ficar preso por 30 anos no território americano.

Guillermo, além de ter acusações na Colômbia e nos EUA, é processado na Nicarágua. O homem também é ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A operação de extradição contou com a participação de agentes da Polícia Federal brasileira e da Drug Enforcement Administration (DEA), o órgão de polícia federal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Representantes da embaixada norte-americana também acompanharam a transferência do colombiano.

Narcotraficante preso em Fortaleza, no ano de 2019, é extraditado para os Estados Unidos
Narcotraficante preso em Fortaleza, no ano de 2019, é extraditado para os Estados Unidos (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Entrada no Brasil

De acordo com as investigações, Guillermo entrou no Brasil pelo município de Pacaraima, em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela. Ele teria ingressado a pé no território brasileiro e utilizado uma identidade falsificada.

Preso em Fortaleza

Em setembro de 2019, Guillermo foi localizado pelas autoridades norte-americanas em ação conjunta com a Polícia Federal brasileira. Ele estava morando com a família em Fortaleza, no bairro Lagoa Redonda. Usava documentos falsos com o nome "José Jesus Rodríguez Hernandez".

Depoimento no STF

Guillermo Amaya Ñungo, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2019, negou ter envolvimento com o narcotráfico e disse que sua prisão tem motivação política - o que foi desconsiderado pela Justiça brasileira no andamento do processo de extradição.

À juíza Suzana Massako Hirama, ele disse que era produtor agropecuário. O governo de Hugo Chávez, então presidente da Venezuela, teria utilizado sua fazenda para reuniões com grupos de guerrilha.

Narcotraficante preso em Fortaleza, no ano de 2019, é extraditado para os Estados Unidos
Narcotraficante preso em Fortaleza, no ano de 2019, é extraditado para os Estados Unidos (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Segundo o estrangeiro, as sessões não tinham o seu aval. Entretanto, por ser responsável pelas terras, era “obrigado” a direcionar mensagens e documentos entre guerrilheiros e Exército Nacional. O colombiano acrescentou que sua extradição tinha o objetivo de chegar até Hugo Carvajal, ex-general preso na Espanha que comandava as tropas encontradas na sua fazenda. Guillermo disse que fugiu do País vizinho por medo de ser assassinado.

À época, afirmou em depoimento que morava há um ano na Capital Cearense. Contudo, quando foi preso, disse à Polícia Federal que residia em Fortaleza havia somente três meses. Sobre se manter na Capital cearense, ele ponderou que ninguém da família trabalhava, mas que viviam de doações de amigos venezuelanos. 

1.600 kg de cocaína

O STF julgou o pedido de extradição do colombiano em setembro de 2020. Seu transporte foi autorizado pelo Ministério da Justiça. Confira trecho do processo no STF:

Uma investigação criminal revelou que, desde abril de 2014 até pelo menos a apresentação do indiciamento supracitado, AMAYA ÑUNGO era membro de uma organização de tráfico internacional de drogas (DTO), responsável por toneladas de cocaína transportadas a bordo de aeronaves registradas nos Estados Unidos. O papel de remessas de drogas. Em 16 de abril de 2014, AMAYA ÑUNGO transportou com sucesso 1.600 kg de cocaína a bordo de uma aeronave registrada nos Estados Unidos, da Venezuela para Honduras, em nome da DTO.