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Japão lançará no mar água tratada de Fukushima

Quase de 1,25 milhão de toneladas de água contaminada estão armazenadas em mais de 1.000 cisternas perto da central nuclear, na região nordeste do Japão

07:41 | 13/04/2021
Esta foto tirada em 10 de março de 2021 da costa da cidade de Futaba, na prefeitura de Fukushima, mostra a usina nuclear de Fukushima Daiichi da Tokyo Electric Power Company Holdings  (Foto: Kazuhiro NOGI / AFP)
Esta foto tirada em 10 de março de 2021 da costa da cidade de Futaba, na prefeitura de Fukushima, mostra a usina nuclear de Fukushima Daiichi da Tokyo Electric Power Company Holdings (Foto: Kazuhiro NOGI / AFP)

O Japão irá lançar no mar mais de um milhão de toneladas de água procedente da usina nuclear acidentada de Fukushima, uma vez tratada, anunciou nesta terça-feira o governo, apesar da oposição dos países vizinhos e dos pescadores locais.

 

A decisão põe fim a sete anos de debates sobre como se desfazer da água da chuva, das camadas subterrâneas ou das injeções necessárias para esfriar os núcleos dos reatores que entraram em fusão em consequência do tsunami de 11 de março de 2011.

 

Quase de 1,25 milhão de toneladas de água contaminada estão armazenadas em mais de 1.000 cisternas perto da central nuclear, na região nordeste do Japão.

 

A água será lançada "depois de se asseguramos que se encontra em um nível (de substâncias radioativas) claramente inferior aos padrões de segurança", declarou nesta terça-feira o primeiro-ministro Yoshihide Suga, acrescentando que o governo "tomará medidas" para impedir que isso prejudique a reputação da região.

 

Uma decisão era necessária com urgência porque a água se acumula rapidamente: em 2020 o local gerou a cada dia quase 140 metros cúbicos de água contaminada e no outono de 2022 poderia-se atingir o limite de capacidade de armazenamento de água, segundo a Tepco, operadora da central.

 

A água que será lançada no mar foi filtrada várias vezes para eliminar a maioria das substâncias radioativas (radionuclídeos), mas não o trítio, porque o mesmo não pode ser removido com as técnicas atuais.

 

A operação vai demorar dois anos no início e pode levar anos para ser concluída.

 

 

 

Deu-se preferência a essa opção sobre outras, como a evaporação no ar ou o armazenamento sustentável.

 

Os pescadores e agricultores de Fukushima a criticam porque temem que prejudique ainda mais a imagem de seus produtos entre os consumidores.

 

"A gestão da água contaminada é um tema que não pode ser evitado na reconstrução de Fukushima", declarou Suga na semana passada, após uma reunião com o diretor da federação das cooperativas de pesca do Japão, que é contrária de modo categórico ao projeto.

 

"O governo disse que não lançaria a água (no mar) sem a adesão dos pescadores", declarou ao canal NHK Kanji Tachiya, diretor de uma cooperativa de Fukushima.

 

"Agora voltam com o assunto e nos dizem que vão verter a água, isso é incompreensível", completou.

 

"O governo japonês abandonou mais uma vez o povo de Fukushima", reagiu a organização ecologista Greenpeace, que citou uma "decisão completamente injustificável de contaminar deliberadamente o Oceano Pacífico com resíduos nucleares".

 

O Greenpeace insistiu que a água deve continuar sendo armazenada até que a tecnologia permita descontaminá-la por completo.

 

No início de 2020, especialistas designados pelo governo recomendaram verter a água no mar, uma prática já adotada no Japão e no exterior em instalações nucleares ativas.

 

"Há um consenso entre os cientistas sobre o fato de que o impacto para a saúde é minúsculo", declarou à AFP Michiaki Kai, professor e especialista em riscos de radiações na Universidade de Ciências da Saúde de Oita (sudoeste do Japão).

 

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também defende a opção de diluir a água no mar.

 

"Levamos a decisão (do governo) a sério", declarou Tomoaki Kobayakawa, diretor da Tepco.

 

"Tomaremos medidas para evitar que circulem rumores nefastos" contra a agricultura, as florestas, a pesca e o turismo locais", acrescentou.

 

Os vizinhos do Japão, com os quais Tóquio mantém relações atribuladas devido a disputas históricas, também se mostraram descontentes.

 

A China considerou "extremamente irresponsável" a decisão do Japão, que "prejudicará muito a saúde e a segurança pública no mundo, assim como os interesses vitais dos países vizinhos".

 

A Coreia do Sul expressou uma "preocupação profunda" com a decisão japonesa, que representa um "risco para o entorno marítimo".

 

O governo dos Estados Unidos, aliado do Japão, expressou apoio em um comunicado.

 

"O Japão examinou as opções e os efeitos, foi transparente em sua decisão e parece ter adotado uma abordagem de acordo com as normas de segurança nuclear reconhecidas internacionalmente", afirma a nota.