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Julgamento do policial que matou George Floyd entra na fase decisiva em clima de tensão

Derek Chauvin, de 45 anos, 19 deles no Departamento de Polícia de Minneapolis, é acusado de assassinato e homicídio culposo

09:37 | 29/03/2021
Manifestantes seguram cartazes em homenagem a George Floyd e outras vítimas de racismo durante um protesto em frente ao Centro Governamental do Condado de Hennepin em 28 de março de 2021 em Minneapolis (Foto: Kerem Yucel / AFP)
Manifestantes seguram cartazes em homenagem a George Floyd e outras vítimas de racismo durante um protesto em frente ao Centro Governamental do Condado de Hennepin em 28 de março de 2021 em Minneapolis (Foto: Kerem Yucel / AFP)

O julgamento do policial branco acusado de matar George Floyd entra na fase decisiva nesta segunda-feira (29) em Minneapolis, quase um ano depois da morte do afro-americano, que provocou uma onda histórica de protestos contra o racismo nos Estados Unidos e em todo o mundo.

 

Derek Chauvin, de 45 anos, 19 deles no Departamento de Polícia de Minneapolis, é acusado de assassinato e homicídio culposo.

 

Em 25 de maio de 2020, Chauvin pressionou o joelho durante quase nove minutos no pescoço de Floyd, que estava imobilizado no chão e algemado.

 

O calvário de Floyd foi filmado e publicado na internet por um pessoa que passava pelo local. As imagens rodaram o mundo e levaram multidões às ruas de Nova York, Seattle, Paris ou Sydney para denunciar o racismo e a violência policial contra as minorias.

 

"Como alguém pode assistir este vídeo e dizer que Derek Chauvin não cometeu um ato criminoso que terminou na morte de George Floyd?", questionou no domingo à imprensa Ben Crump, advogado da família Floyd, que denunciou uma "execução cometida a plena luz do dia".

 

Um famoso advogado afro-americano da grande cidade do norte dos Estados Unidos, Jerry Blackwell, falará em nome da família a partir das 9H00 locais (11H00 de Brasília), em um edifício público adaptado para o processo excepcional que deve durar três ou quatro semanas.

 

As autoridades pediram calma e manifestações "pacíficas" diante do tribunal.

 

Os promotores pretendem demonstrar que Derek Chauvin, que comparecerá em liberdade, mostrou desprezo pela vida de George Floyd ao manter a ação, apesar do afro-americano ter afirmado 20 vezes "Eu não consigo respirar", antes de desmaiar.

 

Eric Nelson, advogado de Chauvin, tentará provar que o policial, que se declara inocente, seguiu os procedimentos autorizados para controlar um suspeito e que não é responsável pela morte de Floyd.

 

Floyd, que tinha 46 anos e sofria de problemas de saúde, teria falecido, de acordo com Nelson, por uma overdose de fentanil, um potente opiáceo do qual foram encontrados vestígios em seu corpo na necropsia.

 

"O que matou George Floyd foi uma overdose de força excessiva", respondeu Ben Crump no domingo.

 

Em consequência da pandemia, o julgamento acontecerá sem a presença do público, mas as audiências serão transmitidas ao vivo e muitos americanos devem acompanhar o processo.

 

O veredicto é aguardado para o fim de abril ou início de maio.

 

Os 12 jurados precisam tomar uma decisão por unanimidade. Em caso contrário, o julgamento será considerado nulo. Este cenário, ou uma absolvição, podem provocar novos distúrbios em Minneapolis.

 

"Oramos para que se faça justiça por George Floyd, que se responsabilize penalmente Derek Chauvin e que isto estabeleça um novo precedente nos Estados Unidos", disse Ben Crump.

 

Os julgamentos de policiais por atos de violência cometidos no desempenho das funções são muito raros nos Estados Unidos, e as condenações ainda mais.

 

A prefeitura de Minneapolis, que decidiu aprovar uma reforma profunda da polícia, concordou há algumas semanas em pagar 27 milhões de dólares por danos e prejuízos à família Floyd para encerrar o processo civil.

 

"Tenho um grande vazio em meu coração, não pode ser preenchido, não pode ser preenchido com nenhuma quantidade de dinheiro. Queremos uma condenação", afirmou no domingo Philonise, irmão de George Floyd.

 

O advogado de Chauvin criticou o acordo, que segundo ele poderia influenciar membros do júri.

 

Também devido à Covid, os outros três policiais envolvidos na tragédia, Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, serão julgados em agosto por "cumplicidade no assassinato".