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Cientistas rastreiam dejetos plásticos por satélite para limpar oceanos

Com uma população de quase 270 milhões de habitantes, a Indonésia é o segundo país do mundo, depois da China, que mais contribui para a grande quantidade de plástico que polui os oceanos.

09:40 | 04/12/2020

Todos os anos, toneladas de resíduos plásticos das ruas de Jacarta vão parar nas praias de Bali, ou no Oceano Índico. Agora, os cientistas recorrem a satélites para monitorar esse lixo e coletá-lo com mais eficiência.

 

Com uma população de quase 270 milhões de habitantes, a Indonésia é o segundo país do mundo, depois da China, que mais contribui para a grande quantidade de plástico que polui os oceanos.

 

Reduzir o uso de plástico e os volumes transportados pelos rios deste arquipélago é um desafio imenso e, provavelmente, demandará anos de esforços.

 

Agora, uma equipe de pesquisadores quer entender melhor como esse lixo se espalha e qual seria a melhor maneira de coletá-lo.

 

No âmbito de um projeto do Ministério dos Assuntos Marítimos e Pescas da Indonésia, a empresa francesa CLS - subsidiária do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) - instalou em fevereiro balizas de satélite Argos na foz dos rios de Jacarta, perto de Bandung (Java Central) e de Palembang (Sumatra).

 

Ery Ragaputra, funcionário da CLS, saiu de barco no final de outubro rumo ao local onde o rio Cisadane deságua no mar de Java, perto da capital indonésia.

 

"Estamos lançando balizas de GPS para descobrir a rota dos dejetos de plástico que chegam ao mar", disse ele à AFP, lançando na água balizas amarelas envolvidas em uma proteção impermeável.

 

 

Com baterias que um ano de autonomia, essas balizas emitem um sinal a cada hora para um satélite, que é então retransmitido para um centro de processamento de dados em Toulouse (França), onde fica o CLS, e depois chega às telas do Ministério em Jacarta.

 

A maioria das balizas lançadas frente a Jacarta foi detectada na costa da ilha de Java, mas algumas continuaram a viajar mais de 1.000 km ao leste, até Bali.

 

Outras balizas lançadas em Surabaya, a segunda maior cidade do país, encalharam nos manguezais de Sumatra, a oeste do arquipélago, um ambiente particularmente frágil.

 

"Algumas que foram lançadas há seis meses ainda estão à deriva e, infelizmente, isso significa que os dejetos ainda estão no oceano e se juntarão aos grandes acúmulos de plástico no Oceano Índico, ou no Pacífico", afirma o diretor da filial do CLS na Indonésia, Jean-Baptiste Voisin.

 

No total, 70 balizas devem ser lançadas para se entender melhor a deriva dos resíduos segundo as estações, o vento, as ondas e as correntes e, assim, antecipar melhor o impacto nos ecossistemas e otimizar a coleta.

 

Desta forma, as autoridades poderão decidir se coletam os dejetos diretamente, se colocam um dique em um local estratégico, ou se enviar botes para recuperá-los no mar.

 

Os resíduos representam um perigo para centenas de espécies marinhas e aves e um risco ainda pouco estudado para a saúde humana, por meio dos microplásticos que podem ser ingeridos.

 

Cerca de oito milhões de toneladas de plástico são despejadas nos oceanos a cada ano, o equivalente a um caminhão por minuto, de acordo com a ONG americana Ocean Conservancy. E mais de 620.000 toneladas vêm da Indonésia a cada ano.