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Em 1986, Alemanha sucumbiu à genialidade de Maradona

00:03 | 01/12/2020
Para muitos, meia argentino teve o maior desempenho individual na história das Copas. Na final, a Argentina venceu a Alemanha, mas a campanha do bicampeonato ficou marcada pela "mão de deus" e o golaço contra Inglaterra.A Copa do Mundo de 1986 entrou para a história com duas cenas tão emblemáticas quanto geniais. Foi provavelmente a melhor Copa de um atleta só – é inquestionável que Diego Armando Maradona carregou a seleção argentina nas costas. A Copa ficou marcada para sempre pelo gol antológico do "Pibe de Oro", em arrancada do meio-campo, e pela famosa "mão de deus", que driblou até a arbitragem, e deu a vitória contra a Inglaterra. Depois da decepção em 1982, quando caiu no forte grupo com Brasil e Itália, a Argentina foi para o Mundial de 1986 com a melhor equipe formada em anos e com o agora capitão Maradona no auge de sua forma. O treinador Carlos Bilardo montou um time nas características típicas do futebol argentino: robusto e brigador na defesa e altamente técnico no setor ofensivo. Com Nery Pumpido, a Albiceleste teve provavelmente o último arqueiro seguro em sua seleção (ainda que se discuta o papel de Sergio Goycochea, em 1990, e Sergio Romero, na Copa atual). A zaga era composta por José Cuciuffo na direita, o xerife Oscar Ruggeri e José Luis Brown no centro, e Julio Olarticochea na esquerda. Os dois volantes, Sergio Batista e Ricardo Giusti, garantiam a liberdade para o quarteto criativo brilhar: o veloz Héctor Enrique, o cerebral Jorge Burruchaga, o craque Diego Maradona e o veterano, mas oportunista centroavante Jorge Valdano. Mas o torneio não começou de maneira contundente para a seleção argentina. Na fase de grupos passou em primeiro, sem muito esforço e sem grandes dificuldades. Na estreia, vitória contra a Coreia do Sul, por 3 a 1, com dois gols de Valdano e um de Ruggeri. No jogo seguinte, um empate em 1 a 1 com a Itália, com o primeiro gol de Maradona no Mundial. E fechando o Grupo A, uma vitória por 2 a 0 contra a Bulgária, com Valdano e Burruchaga balançando as redes. Duelo revive Guerra das Malvinas Depois de eliminar os arquirrivais uruguaios por 1 a 0 nas oitavas de final, a Argentina protagonizou um embate histórico contra a Inglaterra. Era o primeiro jogo entre as duas seleções após a Guerra das Malvinas – conflito armado entre as duas nações pela soberania do arquipélago no sul do Oceano Atlântico. Se na batalha sangrenta entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, a Argentina teve mais de 640 soldados mortos, outros 1.100 feridos e saiu como derrotada ostensiva, a seleção deu o troco em campo. Protegido por um fortíssimo esquema de segurança, o Estádio Azteca, na Cidade do México, recebeu um público de 114.580 torcedores para acompanhar uma das maiores rivalidades do futebol. Rivalidade que teve na Copa do Mundo de 1966 um de seus momentos mais conturbados. Naquele Mundial, as duas seleções também se enfrentaram pelas quartas de final e foi uma partida extremamente violenta. Até que o árbitro alemão Rudolf Kreitlein expulsou Rattín e soltou um monte de palavrões e impropérios para cima do zagueiro argentino. Rattín, inconformado, se negou a deixar o gramado exigindo um tradutor para entender o motivo de sua expulsão. Quando finalmente se retirou, o zagueiro zombou da bandeira inglesa e sentou no tapete vermelho exclusivo da rainha do Reino Unido. Desde então, os ingleses mais exaltados tratam os argentinos como "animais" e "selvagens". O primeiro tempo foi morno, mas o segundo foi decidido em apenas dez minutos. Aos seis minutos, Maradona disputou a bola, pelo alto, com o goleiro Peter Shilton e mesmo sendo 18 centímetros mais baixo que o inglês, milagrosamente colocou a bola para dentro do gol. Mesmo com os protestos, o gol foi validado pelo árbitro tunisiano Ali Bin Nasser, que não viu o toque de mão de Maradona, que disse após a partida que "se houve mão na bola, foi a mão de Deus". Quatro minutos depois, Maradona se redimiu com uma obra-prima. O "Pibe" pegou a bola no centro do campo, driblou cinco ingleses e tocou na saída de Shilton. Poucos se lembram que Gary Lineker ainda diminuiu no final da partida. Final de cinco gols Nas semifinais, Maradona voltou a ser decisivo, marcou os dois gols contra a Bélgica e recolocou a Argentina na final, oito anos depois do título de 1978. Pela frente e temida Alemanha, que tinha os astros Karl-Heinz Rummenige, Lothar Matthäus, Andreas Brehme, Felix Magath e Rudi Völler. Como de costume, a seleção alemã também cresceu durante o torneio e teve na semifinal, quando eliminou a França de Michel Platini, por 2 a 0, a sua melhor atuação. Antes precisou da disputa por pênaltis para superar o anfitrião México, nas quartas, e um gol aos 42 do segundo de Lothar Matthäus contra Marrocos, nas oitavas. Na fase de grupos, empatou com Uruguai (1 a 1), venceu a Escócia (2 a 1) e perdeu para a Dinamarca (2 a 0). Na final, a Alemanha apostou na marcação individual de Matthäus na estrela argentina. Ela funcionou, mas não nos 90 minutos. A Argentina abriu 2 a 0 com o zagueiro Brown e o centroavante Valdano, mas Rummenigge e Völler empataram para os alemães, faltando dez minutos. Visivelmente cansada com o sol de rachar do México, a Alemanha tentava levar o jogo de maneira calma, sem velocidade. Porém, em um dos raros descuidos de Matthäus, Maradona fez a diferença. O craque, entre dois adversários, deu um passe magistral para Burruchaga fazer o terceiro gol dos argentinos, decretando a vitória por 3 a 2, aos 38 minutos do segundo tempo. Karl-Heinz Rummenigge entrou assim para a história como único capitão a ser duas vezes vice-campeão mundial (1982 e 1986), graças a um lampejo genial de Maradona. Ficha técnica Argentina 3 x 2 Alemanha Local: Estádio Azteca, Cidade do México (29/06/1986) Arbitragem: Romualdo Arppi Filho (Brasil) auxiliado por Erik Fredriksson (Suécia) e Berny Ulloa Morera (Costa Rica). Gols: José Luis Brown (23'/1T), Jorge Valdano (10'/2T), Karl-Heinz Rummenigge (29'/2T), Rudi Völler (35'/2T) e Jorge Burruchaga (38'/2T) Cartões amarelos: Diego Maradona (17'/1T), Lothar Matthäus (21'/1T), Hans-Peter Briegel (17'/2T), Julio Olarticoechea (32'/2T), Héctor Enrique (36'/2T), Nery Pumpido (40'/2T) Argentina: Nery Pumpido; José Cuciuffo, Oscar Ruggeri, José Luis Brown, Julio Olarticoechea; Jorge Batista, Ricardo Giusti, Héctor Enrique, Jorge Burruchaga (Marcelo Trobbiani 45'/2T), Diego Maradona; Jorge Valdano. Técnico: Carlos Bilardo. Alemanha: Harald Schumacher; Thomas Berthold, Karl-Heinz Förster, Ditmar Jakobs, Hans-Peter Briegel, Andreas Brehme; Norbert Eder, Lothar Matthäus, Felix Magath (Dieter Hoeness 17'/2T); Karl-Heinz Rummenigge e Klaus Allofs (Rudi Völler 1'/2T). Técnico: Franz Beckenbauer. Autor: Philip Verminnen
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