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Ao menos três pessoas morrem em protesto contra deposição de Vizcarra no Peru

16:11 | 15/11/2020

Ao menos três pessoas morreram e outras ficaram feridas em protesto realizado no sábado, 14, em Lima em rejeição ao governo de Merino, que assumiu a presidência na terça-feira, 10, depois que o Congresso peruano removeu Martín Vizcarra sob a acusação de "incapacidade moral" como resultado de uma investigação fiscal por dois supostos subornos de US$ 600 mil quando ele era governador da região de Moquegua em 2014. O ex-presidente nega.

Como Vizcarra não tem vice-presidente, ele foi substituído por Manuel Merino, presidente do Congresso e integrante do grupo político de centro-direita Ação Popular (AP), decisão do Congresso que gerou surpresa, confusão e indignação em seu país, com protestos de cidadãos, além da rejeição de políticos, constitucionalistas, analistas e até representantes da Igreja Católica. Desde então, milhares de pessoas saíram às ruas de Lima e outras cidades em defesa de Vizcarra, um político sem partido ou bancada no Congresso, mas muito popular, e contra o governo Merino.

Os líderes do Congresso peruano fizeram uma reunião de emergência neste domingo, 15, para buscar uma saída para a crise política que eles próprios desencadearam quando demitiram o presidente Martín Vizcarra há seis dias e colocaram em seu lugar o chefe parlamentar Manuel Merino.

A reunião a portas fechadas dos chefes das nove bancadas parlamentares, segundo fontes legislativas, foi convocada pelo novo chefe do Congresso, Luis Valdez, que afirmou que a situação política no Peru é "insustentável", depois da violenta repressão às massivas manifestações contra Merino, que deixaram dois mortos e 112 feridos, segundo autoridades sanitárias.

O presidente interino do Peru, Manuel Merino, renunciou neste domingo, 15, seis dias após assumir o cargo, depois de protestos contra o governo deixarem mortos. "Eu apresento minha renúncia irrevogável", disse Merino em discurso televisionado. "É hora de paz e unidade."

Milhares de peruanos participam dos considerados maiores protestos do país em décadas. No sábado, centenas de manifestantes, em sua maioria jovens, hastearam uma enorme bandeira peruana e cantaram o hino nacional na praça central de San Martín. Mais tarde, um bando de manifestantes encapuzados confrontou a polícia, atirando pedras e fogos de artifício contra eles, e as forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo. A cidade ecoou com sirenes, gritos e gritos de manifestantes exigindo a remoção de Merino.

Embora os protestos vistos em Lima desde segunda-feira tenham sido em sua maioria de forma pacífica, dezenas de pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e forças de segurança. A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para controlar a agitação e grupos de direitos humanos disseram que o uso da força foi excessivo.

Apesar dos conflitos, o primeiro-ministro do Peru, Ántero Flores-Aráoz, afirmou que permanecerá no cargo por "lealdade" ao presidente Manuel Merino, apesar da renúncia da maioria de seus ministros.

"Se o presidente for embora, é claro que irei com ele, mas ele tem minha lealdade e não posso deixá-lo sozinho", disse Flores-Aráoz em entrevista ao RPP Notícias. No entanto, o chefe de gabinete indicou que estava tentando se comunicar com Merino, mas não sabia "o que estava fazendo".

Quando questionado por jornalistas o que ele pediria ao presidente, o primeiro-ministro simplesmente disse "para atender o telefone". Além disso, negou saber que vários ministros já haviam tornado pública a sua renúncia por não a terem comunicado e, por isso, os convocou para uma reunião de emergência.

"Você tem que ter dignidade e eu tenho, se ele (Merino) ficar, estou com ele, se ele for embora, eu vou com ele", repetiu o ex-legislador veterano em entrevista que logo gerou risadas e desprezo massivo nas redes sociais.

Flores-Aráoz informou que horas antes esteve com Merino revisando "toda a situação de violência que ocorria nas ruas" no sábado durante as manifestações. Acrescentou que decidiram "realizar uma investigação muito aprofundada" porque havia "informações não corroboradas e contraditórias" sobre os graves incidentes ocorridos no protesto contra o governo. (Com agências internacionais)