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UE torce por vitória de Joe Biden na eleição nos EUA

00:02 | 04/11/2020
Donald Trump estremeceu as relações com os parceiros transatlânticos. Mais quatro anos do bilionário no poder seriam pesadelo para muitos líderes do bloco. Democrata é esperança de maior cooperação."Se Joe Biden vencer a eleição presidencial dos Estados Unidos, haverá esperança para as relações transatlânticas", diz Janis Emmanouilidis. "Ninguém é tão ingênuo a ponto de pensar que haverá um retorno à época anterior de Trump, mas predomina a esperança de que as coisas melhorariam", pondera o diretor do Centro de Política Europeia, think tank sediado em Bruxelas. Mas se resultado for outro, o especialista em União Europeia (UE) teme que as relações entre os EUA e o bloco europeu possam piorar ainda mais. "É provável que num segundo mandato ele exerça mais pressão sobre a Europa do que durante o primeiro. Ele identifica a Europa como um mal maior do que outros atores do mundo. Disse até isso publicamente. Embora ele tenha dito um monte de coisas nos últimos quatro anos", observa Emmanouilidis. O eurodeputado e especialista em política externa Reinhard Bütikofer, do Partido Verde, é crítico quanto às declarações de Donald Trump sobre geopolítica. "Quando Trump diz que a UE é um adversário, isso não necessariamente ajuda Washington a ter uma imagem positiva no debate europeu." No entanto, ele acredita que ainda há muitos políticos no governo e no Congresso – inclusive entre os republicanos – que sabem que precisam da cooperação com a Europa para lidar com China, Rússia e outros. "Um presidente Joe Biden provavelmente não faria tudo de forma diferente", pondera Bütikofer. "Mas é possível crer que ele prefira ouvir os aliados tradicionais e buscar pontos em comum com eles", frisa. "Mas, independente de quem ganhar em novembro, devemos investir na cooperação. Temos alguma margem de manobra em algumas questões, como a reforma da Organização Mundial do Comércio." Confiança transatlântica perdida Um estudo do think tank Conselho Europeu de Relações Exteriores (EFCR) de Bruxelas publicado no meio do ano aponta que os europeus perderam a antiga confiança nos EUA. Em particular, a gestão "caótica" da pandemia de covid-19 do presidente Trump teria contribuído para isso. Os pesquisadores do EFCR avaliam que Joe Biden reaproximaria Washington dos europeus. Eles acreditam que os EUA voltariam ao Acordo de Paris e à Organização Mundial da Saúde (OMS). Um governo Biden também, segundo eles, fortaleceria a Otan como aliança novamente, mesmo que tanto democratas, quanto republicanos, pressionem por um aumento nos orçamentos de defesa europeus. O presidente Barack Obama e muitos de seus antecessores já haviam pedido maiores gastos militares. O ex-assessor de Segurança Nacional de Trump John Bolton prevê que uma reeleição do bilionário seja prejudicial para a Otan, lembrando que o republicano até ameaçou deixar a aliança, o que poderia levar ao fim da entidade. A ameaça levou o presidente francês, Emmanuel Macron, a dizer que a Otan tinha "morte cerebral" e a fazer demandas por mais "soberania europeia". Outros chefes de governo na UE também veem, em tons diferentes, um papel geoestratégico maior para a UE, também como forma de distanciamento dos EUA de Trump. Acima de tudo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deseja um retorno a uma ordem baseada em regras. "A verdade é que é mais urgente do que nunca reformar o sistema multilateral. Nosso sistema global está sofrendo de uma paralisia progressiva", afirmou. Segundo ela, as grandes potências ou estão se retirando das instituições internacionais ou as estão tomando como "reféns para seus próprios interesses". A esperança em Bruxelas é que isso seja possível com um presidente Joe Biden. Emmanouilidis alerta, porém, contra ilusões. Ele afirma que a atitude gentil com que a Europa trata a China até agora não agradaria particularmente a um presidente democrata. "Pode vir a ser um desafio, caso um governo Biden coopere em questões multinacionais, como na OMS e na proteção climática, mas exigindo em troca que a Europa aja mais duramente com a China." Mesmo com Biden no comando, os EUA poderiam exigir sanções contra, por exemplo, o grupo de tecnologia Huawei e uma reação às provocações militares no Mar do Sul da China. Comércio é questão que une a UE Depois das eleições, os europeus, seja quem for o presidente dos EUA, vão querer conversar urgentemente sobre as relações comerciais. A ameaça de Trump de impor tarifas massivas sobre carros e outros bens ainda paira sobre o Atlântico. Embora ele tenha concordado em uma espécie de cessar-fogo com o então presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em julho de 2018, o conflito em si não foi resolvido. Naquela época, Trump surpreendentemente elogiou a UE como o maior parceiro comercial dos EUA. Na campanha eleitoral, entretanto, a questão não foi citada nem por Trump nem por Biden. O novo Comissário da UE para o Comércio, Valdis Dombrowskis, é diplomático: "Nestes tempos, devemos cultivar amizades e apegar-nos a aliados que são realmente importantes. Existem alguns conflitos em curso entre a UE e os EUA. Na minha opinião, devemos resolvê-los rapidamente." Com alguém de pensamento mais liberal e menos combativo como Biden, a maioria dos chefes de governo europeus provavelmente se daria melhor pessoalmente. De acordo com Emmanouilidis, a química entre Angela Merkel e Trump não é das melhores. A Polônia e outros países do Leste Europeu, especialmente aqueles com governos populistas, se dão melhor com o republicano. "No final, a UE provavelmente se unirá para representar seus interesses perante os EUA, independentemente de qual homem ocupar o Salão Oval", diz Emmanouilidis. "Quando se trata das verdadeiras questões-chave, os 27 países da UE ainda seguem unidos até hoje, mesmo que alguns tenham tentado manter uma relação mais lucrativa com o governo Trump." Autor: Bernd Riegert
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