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O que aconteceu com as promessas eleitorais de Trump?

00:02 | 04/11/2020
Há quatro anos, o magnata prometeu muito no campo da política externa: um muro na fronteira com o México, melhores acordos para os EUA e paz entre Israel e Palestina. O que ele conseguiu cumprir?O muro na fronteira com o México A promessa Foi uma das principais promessas eleitorais de Donald Trump em 2016: ele queria construir um muro ao longo da fronteira com o México – e o país vizinho arcaria com os custos. Na atual campanha eleitoral, ele repetiu em uma visita à cidade fronteiriça de Yuma, no Arizona, em agosto: "O México vai pagar pelo muro." Os fatos Ao tentar colocar seus planos em prática, Trump enfrentou resistência tanto política quanto legal. A disputa entre o Congresso e o presidente sobre o financiamento do muro levou ao mais longo congelamento orçamentário, o chamado shutdown, da história dos Estados Unidos, entre final de 2018 e fim de janeiro de 2019. Por fim, Trump acabou realocando bilhões de dólares do orçamento para a defesa. Um tribunal dos Estados Unidos, no entanto, proibiu Trump de usar certas partes do orçamento da defesa. Temporariamente, a Suprema Corte, de maioria conservadora, deu luz verde ao plano de Trump. Até agora, o muro foi construído às custas dos EUA e, portanto, do contribuinte americano. Foram disponibilizados cerca de 15 bilhões de dólares de fundos do Departamento de Segurança Interna, do Departamento de Defesa e de um fundo especial. É o que afirma um relatório da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, do inglês) de 16 de outubro, ao qual a DW teve acesso. Permanece a questão: quanto do muro foi construído? No total, a fronteira com o México tem 3.144 quilômetros de extensão. O relatório aponta que, desde que Trump assumiu o cargo, quase 600 quilômetros de fortificações de fronteira foram construídos. De acordo com o Departamento de Segurança Interna, deverão ser 724 quilômetros até o final do ano. Vale a pena dar uma olhada nos detalhes: de acordo com o relatório, em 524 quilômetros foram substituídos reforços velhos ou dilapidados. Apenas 72 quilômetros foram construídos em locais onde antes não havia barreiras. Destes, 25 quilômetros são as chamadas "paredes primárias", ou seja, diretamente voltados para o lado mexicano, e 47 quilômetros são "paredes secundárias", que servem como segunda proteção atrás da primeira barreira. A autoridade de proteção de fronteiras costuma falar sempre em "muro". Mas não se trata de uma parede de concreto como Trump imaginou originalmente, e sim primordialmente de uma cerca alta de metal. No cargo, o presidente americano relativizou suas reivindicações em relação ao muro: "Não será uma estrutura de concreto com mais de 2 mil milhas, de mar a mar. São barreiras de aço em locais de alta prioridade", disse em 2019. "America First" A promessa "America First" foi o slogan da campanha de Trump em 2016. Os Estados Unidos deveriam vir em primeiro lugar, seja politicamente ou nas relações econômicas. Trump chamou o Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta) – entre EUA, Canadá e o México – de "desastre". E também criticou o déficit comercial com a China como muito grande. Os fatos Primeiro, quanto ao comércio: Trump cancelou o Nafta. Após uma longa luta, surgiu um acordo sucessor ligeiramente modificado, o Acordo EUA-México-Canadá (USMCA), que entrou em vigor em julho de 2020. Bem mais rápido foi o distanciamento da chamada Parceria Transpacífica (TPP), de que participam nações do Pacífico, como México, Peru, Chile, Japão, Canadá, Malásia e Austrália. Trump assinou a retirada da parceria três dias após tomar posse. Uma pedra no sapato de Trump foi o fato de que os EUA importavam mais do que exportavam para a China. Sob sua presidência, entretanto, inicialmente o déficit comercial aumentou, de acordo com a agência americana de estatística US Census, subindo de quase 347 bilhões de dólares em 2016 para 375 bilhões e 418 bilhões nos dois anos seguintes. Em 2018, Trump forçou uma disputa comercial com a China que acabou em tarifas punitivas recíprocas. Em 2019, o déficit estava de volta ao nível da época em que Trump assumiu a presidência. Atualmente, há sinais de redução. Até agosto último, o déficit de 2020 era significativamente menor do que no mesmo período do ano passado. Análises mostram que ambos os países sofrem com o conflito comercial. Houve também uma disputa com a União Europeia (UE), devido a subsídios da UE ao fabricante europeu de aeronaves Airbus e dos Estados Unidos ao americano Boeing, que resultou em tarifas punitivas sobre queijo parmesão e vinho europeu, por exemplo, mas que em parte ainda não estão em vigor. Mas a postura "America First" não afetou apenas o comércio. Trump também questionou outros tratados ou filiação a organizações internacionais que supostamente não eram benéficos para os EUA. Assim, o país saiu da Organização Mundial da Saúde (OMS) no meio da pandemia do coronavírus, deixou a Unesco, organização cultural da ONU, virou as costas para o Conselho de Direitos Humanos da ONU e se retirou do Acordo de Paris sobre o Clima, de 2015.   Trump também questionou repetidamente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e exigiu uma contribuição maior dos Estados que compõem a aliança militar. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou há um ano que os membros europeus e o Canadá gastariam cerca de 130 bilhões de dólares a mais no período de 2016 até o final de 2020. Trump foi em grande parte fiel em muitos pontos. Em sua opinião, ele colocou os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar – mas se com isso ele fez um favor a seu país, essa é outra questão.  Israel A promessa Trump se apresentou como um bom amigo de Israel durante a campanha eleitoral, ao prometer a mudança da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém e tentou mediar entre palestinos e israelenses.  Os fatos Neste ponto, Trump manteve sua palavra: apesar das críticas do lado árabe, ele reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e em maio de 2018 transferiu a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. Nos últimos meses, Trump também aproximou Israel dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão. Em troca, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu suspender, mas não parar, a anexação de territórios na Cisjordânia ocupada. A Autoridade Palestina se vê como a perdedora nestes acordos diplomáticos, nos quais não estava envolvida. As lideranças palestinas temem perder apoio no mundo árabe em sua reivindicação por dois Estados (Israel e Palestina). A propósito, em 2018, os Estados Unidos suspenderam os pagamentos à organização de ajuda da ONU para refugiados palestinos (UNRWA). Autor: Uta Steinwehr
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