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Condenada por matar grávida e tirar bebê da barriga, mulher será executada nos EUA

Execução da mulher faz parte de um esforço do governo de Donald Trump para retomar a aplicação da pena de morte no sistema federal norte-americano

14:33 | 19/10/2020
Lisa Montgomery foi condenada à morte por homicídio e sequestro de uma gestante de quem iria adotar um cachorro (Foto: Wyandotte County Sheriff)
Lisa Montgomery foi condenada à morte por homicídio e sequestro de uma gestante de quem iria adotar um cachorro (Foto: Wyandotte County Sheriff)

Pela primeira vez em mais de seis décadas, o governo federal dos Estados Unidos vai executar a pena de morte em uma mulher, Lisa Montgomery, condenada por matar uma grávida e tentar roubar o bebê da barriga. Conforme o Departamento de Justiça, Montgomery vai receber uma injeção letal em 8 de dezembro.

Em dezembro de 2004, Lisa Montgomery estrangulou Bobby Jo Stinnet, grávida de oito meses, com uma corda. Depois, utilizou uma faca de cozinha para abrir a barriga da gestante e retirar o bebê, uma menina. No entanto, Jo Stinnet não havia morrido no estrangulamento e recobrou a consciência quando começou a ser cortada.

Segundo a Promotoria do caso, Jo Stinnet ainda lutou contra Lisa, até ser dominada e sufocada novamente, desta vez até a morte. A criminosa, então, seguiu com a laceração até alcançar o útero e remover o bebê. Depois, fugiu dali e voltou para casa, em Kansas City, a cidade mais populosa do estado de Missouri.

Montgomery havia saído de casa e dirigido mais de 160 quilômetros rumo a Skidmore, cidade ao norte em que Jo Stinnet vivia, sob pretexto de adotar um filhote de cachorro. Uma vez na residência da vítima, que entregaria o animal, a assassina atacou a mulher grávida. O corpo de Stinnet foi encontrado pela mãe uma hora após a fuga da homicida.

Lisa Montgomery foi presa em casa no dia seguinte após o emprego de técnicas forenses para identificar quem havia estado na cena do crime. O bebê, de um dia de vida, foi recuperado e entregue aos cuidados do pai. Em 2007, um júri condenou a mulher à pena de morte por homicídio e sequestro, recusando a tese da defesa de que Montgomery sofria de distúrbios mentais em razão dos espancamentos que sofreu na infância.

Com a confirmação da aplicação da pena pelo Departamento de Justiça, Montgomery será a primeira mulher executada pelo sistema penal federal desde Bonnie Heady, morta em uma câmara de gás em 1953, também no estado do Missouri. Além dela, o procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, confirmou a execução de outros dois criminosos: Orlando Hall, em novembro, e Brandon Bernard, em dezembro.

Bernard foi condenado em 1999 à pena de morte após ter matado, com seus cúmplices, dois jovens líderes religiosos. Orlando foi condenado em 1994 por sequestrar e queimar viva uma adolescente por causa de uma dívida de drogas do irmão dela. Os dois vão receber uma injeção letal, assim como Lisa Montgomery.

Trump retomou a execução de prisioneiros condenados à morte no sistema penal federal, interrompida há 17 anos
Trump retomou a execução de prisioneiros condenados à morte no sistema penal federal, interrompida há 17 anos (Foto: Mandel Ngan/AFP)

A retomada da pena capital sob Trump e os governos estaduais

 

Nos EUA, existem 30 leis estaduais e federais relacionadas à pena de morte. Lá, 28 dos 50 estados aplicam a execução e possuem legislações específicas sobre o tema. Há também uma lei nacional, que dá direito ao governo federal de intervir em um estado para executar um prisioneiro, além de uma lei que regula a pena de morte aplicada por tribunais militares.

No entanto, a discussão desta pena no país, há décadas, gera controvérsias, por isso muitos governos, embora não consigam abolir a lei, acabam adotando medidas que, na prática, suspendem as mortes. Desde 2003, no governo do republicano George W. Bush, as execuções no sistema penal federal estavam suspensas. Assim ocorre em vários estados, como a progressista Califórnia, que mantém a legislação da pena capital, mas há anos não executa nenhum condenado.

Em 2019, o republicano Donald Trump anunciou a retomada das execuções. O caso foi parar na Suprema Corte - mais uma vez. Em 1972, a pena de morte, prática que remonta ao período colonial, foi proibida pela Corte em todo o país. Em 1976, o assunto voltou à mesa dos juízes, que desta vez autorizaram a retomada das penas. Em 2019, após o anúncio de Trump, a mais alta instância do Judiciário norte-americano foi acionada novamente e, por fim, autorizou o plano do presidente.

Desde então, sete condenados à morte foram executados. Com Orlando Hall, Lisa Montgomery e Brandon Bernard, em dezembro, serão dez ao todo. De acordo com o procurador-geral, William Barr, eles avançaram no corredor da morte por terem cometido “assassinatos especialmente hediondos”. Nos últimos 56 anos, segundo o USA Today, o sistema penal federal havia executado 3 condenados. Com sete mortos e mais três execuções agendadas, o governo Trump já é o que mais matou na história moderna do país.

 

Com informações da BBC E USA Today