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Terceira noite a céu aberto para milhares de migrantes em Lesbos

Duas caminhonetes da força de segurança bloquearam a estrada para impedir o acesso dos demandantes de asilo. Conforme uma fonte policial, nove batalhões da polícia chegaram a Lesbos desde terça-feira

09:37 | 11/09/2020
Imigrantes sem-teto e refugiados dormem, em 11 de setembro de 2020, num posto de gasolina depois que um incêndio destruiu o maior campo de refugiados de Moria da Grécia na ilha de Lesbos (Foto: AFP)
Imigrantes sem-teto e refugiados dormem, em 11 de setembro de 2020, num posto de gasolina depois que um incêndio destruiu o maior campo de refugiados de Moria da Grécia na ilha de Lesbos (Foto: AFP)

Milhares de demandantes de asilo passaram a terceira noite a céu aberto na ilha grega de Lesbos, muitos deles sem cobertores, perto do campo de Moria, devastado pelas chamas, ao mesmo tempo que um grande contingente da polícia chegou ao porto nesta sexta-feira, 11, para evitar protestos anti-imigração dos moradores da região.

 

Onze veículos da polícia e dois equipamentos de jatos d'água chegaram ao porto de Mitilene, capital da ilha.

 

Duas caminhonetes da força de segurança bloquearam a estrada para impedir o acesso dos demandantes de asilo. Conforme uma fonte policial, nove batalhões da polícia chegaram a Lesbos desde terça-feira.

 

Várias famílias de migrantes estavam acampadas ao longo da estrada que vai de Moria ao porto de Mitilene, alguma sem barracas.

 

"Perdemos tudo. Estamos abandonados à nossa sorte, sem comida, sem água, sem medicamentos", disse Fatma Al Hani, uma síria, com um filho de dois anos no colo.

 

Os incêndios de terça e quarta-feiras destruíram o acampamento de Moria. Superlotado e insalubre, a área é chamada de "selva". Quase 12.700 pessoas ficaram desabrigadas, incluindo 4.000 menores de idade.

 

O governo da Grécia pediu às autoridades de Lesbos uma "solução rápida" para abrigar os sem-teto.

 

Na quinta-feira (10), porém, a população local bloqueou as estradas para tentar impedir a instalação de novas barracas.

 

"É agora, ou nunca. Temos a oportunidade de fechar Moria para sempre. Não queremos outro campo", disse o governador da localidade de Panagiouda, Vaguélis Violatzis.

 

 

Para ajudar a Grécia, países europeus anunciaram uma mobilização.

 

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, pediu à União Europeia (UE) para incluir a crise da migração no centro de suas preocupações: "A Europa deve passar das palavras de solidariedade para uma política de atos de solidariedade".

 

Dez países do bloco anunciaram que devem receber 400 migrantes menores de idade, confirmou o ministro alemão do Interior, Horst Seehofer. Alemanha e França receberão entre 100 e 150 crianças cada um.

 

A Holanda receberá 100 migrantes, metade deles menores, e a Finlândia dará abrigo a 11 crianças.

 

O vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, que visitou Lesbos na quinta-feira, anunciou que navios financiados pela UE debem alojar os solicitantes de asilo mais vulneráveis.

 

O governo de direita da Grécia, que está no poder há um ano, endureceu a política migratória. Também prometeu a construção de novos centros de registro em Lesbos e nas outras quatro ilhas do Egeu, onde vivem mais 24.000 pessoas, quatro vezes acima da capacidade inicial.

 

Uma lei aprovada recentemente no Parlamento tem por objetivo limitar o número de ONGs que ajudam os refugiados nos acampamentos de todo país para que o governo possa ter mais controle sobre a situação.

 

Ontem, algumas ONGs que defendem os direitos dos refugiados afirmaram que foram obrigadas a distribuir alimentos de maneira "discreta" entre os migrantes, porque temiam a proibição das forças de segurança.

 

A Proteção Civil grega declarou estado de emergência durante quatro meses em Lesbos, que tem população de 85.000 habitantes e é a principal porta de entrada dos migrantes na Grécia por sua proximidade com a Turquia.