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Estrela morta emite radiação nunca antes vista e pode ajudar a entender alguns fenômenos astronômicos

Observação ocorreu entre abril e maio e a pesquisa foi publicada em julho de 2020 na revista científica The Astrophysical Journal Letters

Catalina Leite
15:03 | 11/08/2020
Magnetares podem ser fundamentais para a condução de uma série de eventos transitórios diferentes no Universo, desde explosões de supernovas superluminosas até explosões distantes e energéticas de raios gama. (Foto: Divulgação/Ilustração ESA)
Magnetares podem ser fundamentais para a condução de uma série de eventos transitórios diferentes no Universo, desde explosões de supernovas superluminosas até explosões distantes e energéticas de raios gama. (Foto: Divulgação/Ilustração ESA)

A humanidade já sabe bastante sobre o Universo e, mesmo assim, desconhece muito mais. Eventos como explosões de supernovas já foram registrados até imageticamente, mas a comunidade científica ainda não compreende todos os fatores que influenciam eventos do tipo. E é por isso que a detecção de uma mistura de radiação única vinda de uma estrela morta na Via Láctea é tão importante.

Astrônomos e astrofísicos da Agência Europeia Espacial (ESA, na sigla em inglês) viram pela primeira vez uma rajada rápida de rádio (FRB, na sigla em inglês de Fast Radio Bursts), originada de uma estrela morta na constelação de Vulpecula, localizada na Via Láctea. A observação aconteceu do dia 28 de abril a 3 de maio de 2020 e foi publicada no dia 27 de julho na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

A descoberta envolve dois tipos de fenômenos cósmicos: os magnetares e o FRB. Magnetares são remanescentes de estrelas mortas que possuem alguns dos campos magnéticos “mais intensos do Universo”. De acordo com nota da ESA, quando ficam “ativos”, os magnetares podem produzir rajadas curtas de radiação de alta energia que normalmente duram menos de um segundo, mas são bilhões de vezes mais luminosas que o Sol.

Concepção artística de um magnetar. Magnetares objetos cósmicos extremamente magnetizados, restos quentes e densos de estrelas mortas. Eles emitem radiação energética em explosões impulsivas e explosões mais longas em escalas de tempo de milissegundos a anos.
Concepção artística de um magnetar. Magnetares objetos cósmicos extremamente magnetizados, restos quentes e densos de estrelas mortas. Eles emitem radiação energética em explosões impulsivas e explosões mais longas em escalas de tempo de milissegundos a anos. (Foto: Divulgação/Ilustração ESA)

Já os FRB (as explosões de rádio rápidas) são eventos que pulsam intensamente em ondas de rádio por apenas alguns milissegundos antes de desaparecerem. Eles raramente são vistos novamente. Descobertos pela primeira vez em 2007, eram “um dos maiores mistérios não resolvidos da astronomia” até então.

Descoberta

No final de abril, o magnetar nomeado SGR 1935 + 2154 e localizado na constelação de Vulpecula, na nossa galáxia, tornou-se ativo novamente. O objeto já era conhecido há seis anos, mas precisou de uma explosão “substancial” de raios-X para reativar. Quando isso aconteceu, os astrônomos perceberam que o SGR 1935 + 2154 não estava irradiando apenas os raio-X normais, mas também ondas rádios.

“Nunca vimos uma explosão de ondas de rádio, semelhante a uma explosão rápida de rádio, de um magnetar antes”, comenta, em nota, Sandro Mereghetti, pesquisador do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF – IASF) em Milão, Itália. “Esta é a primeira conexão observacional entre magnetares e Fast Radio Bursts. É realmente uma grande descoberta e ajuda a colocar em foco a origem desses fenômenos misteriosos”, completa.

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Segundo a ESA, a observação sustenta a ideia de que rajadas rápidas de rádio emanam de magnetares, além de demonstrar que os pulsos desses objetos cósmicos podem ser detectados em comprimentos de onda de rádio. “Os magnetares são cada vez mais populares entre os astrônomos, pois acredita-se que desempenham um papel fundamental na condução de uma série de eventos transitórios diferentes no Universo, desde explosões de supernovas superluminosas até explosões distantes e energéticas de raios gama”, conclui a nota.