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Humanos podem ter chegado aos continentes americanos anos antes do que se imaginava, diz pesquisa

Após oito anos de estudos em caverna Mexicana, resultados afirmam que o homem circulou pelo continente antes do Último Máximo Glacial, ocorrido há 27 mil e 19 mil anos

Marília Freitas
12:30 | 28/07/2020
Os resultados vêm após oito anos de análises da Caverna Chiquihuite, no México. (Foto: Reprodução/Devlin Gandy)
Os resultados vêm após oito anos de análises da Caverna Chiquihuite, no México. (Foto: Reprodução/Devlin Gandy)

Um recente estudo publicado nesta semana pela revista Nature pode mudar as convicções sobre a chegada dos humanos às Américas. A pesquisa realizada pela Universidade Autônoma de Zacateas, no México, sugere que os primeiros seres humanos chegaram ao continente há cerca de 30 mil anos - refutando, assim, a teoria predominante de Clóvis, que afirma a chegada dos primeiros viajantes nos continentes aconteceu há 15 mil anos.

Os resultados vêm após oito anos de análises da Caverna Chiquihuite, no México. O local fica no estado mexicano Zacatecas, e está 2,740 metros acima do nível do mar. Entre 2016 e 2017, os arqueólogos encontraram quase 2 mil ferramentas de pedra, além de ossos de animais, resto de carvão, pólen e outras plantas. Todos os itens foram soterrados pelo tempo no chão da caverna e a datação dos artefatos e dos sedimentos indicam que as ferramentas foram utilizadas no local entre 31 mil e 33 mil anos atrás.

Isso significa que o homem adentrou o continente quando grande parte do Hemisfério Norte estava coberta por um espesso manto de gelo - há 27 mil anos - e a caverna teria sido utilizada como um refúgio temporário pelos humanos durante suas travessias.

No entanto, a falta de evidências de DNA humano no local levantam dúvidas de outros arqueólogos. Outros inclusive sugerem que as ferramentas podem ter sido levadas a camadas mais profundas da terra por animais escavadores, por exemplo, o que poderia torná-los mais antigos dos que realmente são. Também chama a atenção que os artefatos apresentados não possuem sinais de uso, que seriam comuns de notar.

O coordenador do estudo, Ciprian Ardelan, aponta que ao menos 239 objetos analisados estavam sob camadas de gelo formadas na última era glacial e os artefatos deveriam ter a mesma idade, no mínimo. O pesquisador aposta que as ferramentas foram feitas por aprendizes, o que justifica a falta do uso. "Alguém estava ensinando outras pessoas nesse local", defende Ardelan. Outros três pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) também estão no projeto e também reforçam que a pesquisa pode se tornar uma grande evidência arqueológica.

As informações são do portla TechMundo e do Jornal da USP.

Descoberta pode refutar teoria atual de descobrimento das Américas, a Clóvis

Essa não é a primeira pesquisa que vai de encontro à teoria Clóvis, prevalente sobre o povoamento das Américas. Desde a década de 1970, pesquisadores vêm encontrando os vestígios de ocupação humana mais antigos do que a teoria. No entanto, de acordo com o Jornal da USP, as evidências sempre foram refutadas ou ignoradas por parte da comunidade científica americana.

A teoria Clóvis afirma que os primeiros viajantes do continente asiático só teriam atravessado a Beríngia - porção de terra que juntou a Alasca e a Sibéria - a partir de 15 mil anos atrás, quando massas de gelo deixadas pelo Úlitmo Máximo Glácial já haviam recuado o suficiente para possibilitar o fluxo dos seres humanos. Diversos estudos informam que os primeiros migrantes se encontraram com os animais da Era do Gelo, como mamutes e tigres-dentes-de-sabre que acabaram extintos.

No entanto, para comprovar que o estudo traz resultados cravejados, outras análises precisam ser refutadas e discutidas entre os pesquisadores das instituições.