Etiópia entra na terceira semana sem acesso à internet após protestos por assassinato de ativista
Governo da Etiópia alega que o corte da conexão é uma tentativa de impedir discursos que provoquem tensões étnicas
A Etiópia já entra na terceira semana sem acesso à internet, cortada pelo Governo para impedir mais protestos populares, iniciados após o assassinato do cantor e ativista Hachalu Hundessa, 34 anos, em 29 de junho deste ano. Membro do maior grupo étnico da Etiópia, os Oromo, Hundessa escrevia músicas de resistência contra a marginalização do grupo e era visto como herói por aqueles que lutavam por mudanças políticas e econômicas.
Após a morte do músico, vários protestos iniciaram em Addis Ababa, capital da Etiópia, e a região vizinha de Oromia. De acordo com o jornal The New York Times, pelo menos 239 pessoas foram mortas durante as manifestações, nas quais edifícios foram queimados e “grupos de jovens realizaram ataques eticamente motivados”.
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Para evitar mais mobilizações, o Governo bloqueou a internet e prendeu quase cinco mil pessoas. Entre os presos estão ativistas, jornalistas e Jawar Mohammed, crítico do governo da Etiópia. Ele é um dos fundadores da Oromia Media Network (OMN), veículo de comunicação sem fins lucrativos, e principal organizador dos protestos etíopes de 2016.
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Impactos
Segundo o jornal The Washington Post, o corte da internet prejudica a disseminação de informações sobre a pandemia de Covid-19. Addis Ababa é sede dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África e outros equipamentos do corpo continental da União Africana.
O grupo de monitoramento de internet NetBlocks atualizou que na noite dessa terça-feira, 14, parte da internet de linha fixa estava retornando, mas a internet móvel permaneceu cortada. “A interrupção constitui uma violação grave dos direitos básicos no momento em que os etíopes mais precisam se manter informados", afirmou o grupo ao Washington Post.
Ainda, a NetBlocks estima que o impacto econômico do corte é de mais de US$ 4 milhões por dia. A Etiópia é o segundo país mais populoso da África, com quase 110 milhões de pessoas.
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