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NOTÍCIA

Na África, 350 elefantes morreram de causa misteriosa desde o início de maio

A causa das mortes ainda é desconhecida, mas há hipóteses em estudo, como envenenamento ou doença

13:10 | 02/07/2020
Na contagem oficial do governo de Bontsuana, são 280 elefantes mortos entre os mais de 15 mil que vivem na região do Delta de Okavango (Foto: Reprodução/Jornal The Independent)
Na contagem oficial do governo de Bontsuana, são 280 elefantes mortos entre os mais de 15 mil que vivem na região do Delta de Okavango (Foto: Reprodução/Jornal The Independent)

Desde o início de maio, 350 elefantes morreram misteriosamente no Delta do Okavango (ou Delta do Cubango), em Botsuana, habitat de um terço da população de elefantes na África. Até o momento, não há nenhuma conclusão oficial sobre as causas das mortes. Segundo o governo, os resultados de análises de laboratório devem demorar semanas.

De acordo com o biólogo e ativista Niall McCann, em apenas três horas de voo sobre a região do Delta foram avistados 169 animais mortos. “Conseguir enxergar e contar tantos em tão pouco tempo é espantoso”, afirmou à BBC.

O número aumentou para 350 em junho, quando mais 181 elefantes foram encontrados mortos. “É algo totalmente sem precedentes em termos do número de elefantes mortos em um único evento sem relação com a seca”, preocupa-se o biólogo.

Causa é desconhecida

Ainda em maio, o governo de Botsuana descartou que o motivo fosse a caça ilegal, já que as presas de marfim ainda estavam nos animais. Além disso, o fato de apenas elefantes estarem morrendo também descartaria a hipótese, considerando que se fosse cianeto usado por caçadores, outras espécies também morreriam.

O biólogo McCann também descartou momentaneamente a possibilidade de um envenenamento natural por antraz, uma doença causada por ingestão de uma bactéria encontrada no solo. Em 2019, o antraz matou pelo menos 100 elefantes no país.

Mas ainda há outras hipóteses de envenenamento ou doença em estudo. A maneira com que os elefantes parecem estar morrendo, caindo no chão e outros transitando em círculos, pode indicar algo que esteja afetando o sistema neurológico dos animais, afirmou McCann.

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Também não se pode excluir a possibilidade de ser uma doença que chegue a afetar humanos, principalmente se a causa estiver relacionada a recursos hídricos ou ao solo. “É um desastre de conservação da natureza, mas também tem o potencial de ser uma crise de saúde pública”, pontua o biólogo.

Conforme o diretor do departamento de vida selvagem e parques nacionais de Botsuana, Cyril Taolo, o governo já confirmou oficialmente a morte de 280 elefantes dos mais de 15 mil que vivem na região do Delta de Okavango. No entanto, o número tende a subir.

As informações são da BBC.