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Denúncia de mulher branca contra afro-americano gera indignação e debates nos EUA

Vídeo gravado pelo homem, que solicitava que a mulher pusesse a coleira no próprio cachorro, tem mais de 25 milhões de visualizações. Polícia norte-americana tem longo histórico de violência contra negros

16:36 | 26/05/2020
Central Park é um dos principais pontos de encontro do mundo e tem várias áreas, somando mais de 3km² de extensão (Foto: Justin Heiman/Getty Images/AFP)
Central Park é um dos principais pontos de encontro do mundo e tem várias áreas, somando mais de 3km² de extensão (Foto: Justin Heiman/Getty Images/AFP)

Um vídeo de uma mulher branca chamando a polícia pela presença de um homem negro que observava pássaros no Central Park, em Nova York, viralizou na internet, provocando indignação com a denúncia considerada racista.

As imagens postadas no Twitter, com quase 26 milhões de visualizações, foram filmadas pelo homem, Christian Cooper, que disse que pediu à mulher que colocasse uma coleira em seu cachorro.

Ela passeava com o cão na segunda-feira, 25, em uma área arborizada do parque, popular entre os observadores de pássaros — como ele — e onde os cães devem obrigatoriamente ser mantidos na coleira por espantarem outros animais.

No vídeo, quando a mulher tenta controlar o cachorro, Cooper se aproxima e em seguida, ela faz uma ligação. "Há um homem afro-americano aqui, estou no Central Park. Ele está me filmando, me ameaçando e ameaçando meu cachorro", disse a mulher, mais tarde identificada como Amy Cooper — sem relação com o homem — corretora de seguros em uma empresa local.

As imagens provocaram indignação nas mídias sociais e muitos usuários chamaram a mulher de "Karen", um termo popular online para descrever uma mulher branca considerada mais privilegiada do que outras.

O incidente provocou a reação do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que classificou suas ações como "racismo, puro e simples".

"Ela ligou para a polícia PORQUE ele era um homem negro. Mesmo que ela tenha violado as regras. Ela decidiu que ele era o criminoso e nós sabemos o porquê. Esse tipo de ódio não tem espaço em nossa cidade", disse ele em sua conta no Twitter. O grifo é do próprio prefeito.

Mais tarde, Amy Cooper se desculpou durante uma entrevista à NBC, na qual negou ser racista e disse que exagerou em sua reação porque se sentiu ameaçada. Ela está afastada do trabalho, que avalia a possibilidade de demissão.