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NOTÍCIA

Confirmada morte de um dos principais acusados de genocídio em Ruanda

Ele era acusado de ter criado as milícias Interahamwe, principal braço armado do genocídio de 1994 que causou 800 mil mortes em Ruanda

09:47 | 22/05/2020

Augustin Bizimana, um dos principais acusados do genocídio em Ruanda (País na África Oriental) e que estava foragido, morreu em 2000 - disse nesta sexta-feira, 22, o Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais (MTPI), com sede em Haia. A morte, cuja data estimada é agosto de 2000, "pôde ser confirmada após a identificação formal dos restos mortais de seu corpo" encontrados na República do Congo, informou o MTPI.

Este órgão tem como objetivo concluir a tarefa do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR). Nascido em 1954, Augustin Bizimana foi indiciado pelo TPIR em 1998, por um total de 13 acusações, incluindo genocídio, extermínio, assassinato e outros atos desumanos.

Ele deveria ser julgado pelo assassinato em 1994 do primeiro-ministro moderado hutu Agathe Uwilingiyimana, bem como de dez membros belgas das forças de manutenção da paz e de civis tutsis.

Este anúncio do MTPI ocorre menos de uma semana após a prisão na França, em 16 de maio, de outro dos principais acusados ainda foragido, Félicien Kabuga, suposto financiador do genocídio de Ruanda. Ele era procurado há 25 anos.

Kabuga, que viveu nos arredores da capital francesa com uma identidade falsa, é acusado de ter criado as milícias Interahamwe, principal braço armado do genocídio de 1994 que causou 800 mil mortes em Ruanda, segundo a ONU.

Ele presidiu a Rádio Televisão Libre des Milles Collines (RTLM), que transmitia chamadas para assassinar os tutsis, e o Fundo de Defesa Nacional (FDN), que coletava recursos para financiar a logística e as armas dos milicianos hutus Interahamwe, de acordo com a acusação do TPIR.

A morte de Bizimana é uma "grande decepção" para os sobreviventes do genocídio, reagiu nesta sexta-feira Alain Gauthier, chefe de uma associação de vítimas na França.

"O maior desejo dos sobreviventes era que os assassinos fossem julgados", acrescentou.