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Confinados, italianos comemoram aniversário da Libertação cantando "Bella Ciao"

Além da canção dos partidários, símbolo da queda dos nazistas, hino da Itália também foi entoado pela população nas janelas

16:19 | 25/04/2020
Moradores do distrito de Garbatella, em Roma, balançam a bandeira italiana e cantam
Moradores do distrito de Garbatella, em Roma, balançam a bandeira italiana e cantam "Bella Ciao" (Foto: Tiziana FABI / AFP)

Os italianos, confinados há um mês e meio, apareceram em suas janelas neste sábado, 25, por ocasião ao Dia da Libertação e cantaram o hino nacional e também a canção dos partidários, Bella Ciao.

Os aviões caças deixaram uma trilha tricolor no céu ensolarado de Roma, uma capital com as ruas vazias devido à quarentena imposta pela pandemia de coronavírus.

Poucos minutos antes, milhares de habitantes cantaram o Bella Ciao para celebrar a festa que comemora a libertação de Milão, Turim e Gênova em 1945 e a derrota dos nazistas na península. No entanto, a canção, muito popular entre a esquerda, causa desconforto em alguns italianos, que não se identificam com ela.

"Respeito aqueles que, no passado, deram a vida pela liberdade do nosso país, mas considero que a prioridade neste momento é, mais que do cantar Bella Ciao, é ajudar com dinheiro os cidadãos necessitados", tuitou Matteo Salvini, chefe da Liga (extrema direita), primeiro partido do país.

"Nesta manhã, um padre me disse que havia sido impedido de promover" a missa em público, "enquanto outros podem festejar", acrescentou.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, de esquerda, em uma região dominada pela Liga de Salvini, convidou um amigo, o músico Saturnino, para cantar "Bella Ciao" na varanda da prefeitura, frente a um punhado de pedestres.

O presidente italiano, Sergio Mattarella, depositou um buquê no túmulo de um soldado desconhecido, no marco de uma cerimônia sóbria a qual compareceu com máscara.

O ditador fascista Benito Mussolini, aliado da Alemanha nazista, foi derrubado e detido em julho de 1943, mas depois foi libertado por um comando alemão para estabelecer em Saló (norte) um regime apoiado pelas tropas nazistas, que reforçaram sua presença na península à medida em que os partidários aumentavam sua atividade.

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