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Prédio em Hong Kong é evacuado por dois casos de coronavírus em andares diferentes

O novo surto revive em Hong Kong a memória da epidemia da Sars que, em 2002 e 2003, deixou 299 mortos

12:24 | 11/02/2020
Cientistas trabalham no desenvolvimento de um tratamento contra o novo coronavírus.
Cientistas trabalham no desenvolvimento de um tratamento contra o novo coronavírus. (Foto: JEFF PACHOUD / AFP)

Mais de cem pessoas foram evacuadas nesta terça-feira, 11, de um prédio de 35 andares em Hong Kong, onde dois casos do novo coronavírus foram descobertos em diferentes andares e as autoridades investigam se é possível uma transmissão através do encanamento.

O novo surto reviveu em Hong Kong a memória traumática da epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) que, em 2002 e 2003, deixou 299 mortos. No meio da noite, parte dos habitantes do prédio Hong Mei House foi evacuada. O edifício faz parte do condomínio Cheung Hong Estate, localizado na ilha Tsing Yi, no noroeste de Hong Kong, território chinês semiautônomo.

Vários membros dos serviços de saúde com roupas de proteção brancas trabalhavam nesta terça-feira para verificar se a epidemia se espalha neste prédio residencial onde vivem um total de 3 mil pessoas.

As autoridades de Hong Kong monitoram atentamente o surgimento de novos casos devido à alta densidade populacional nesta cidade de 7 milhões de habitantes, a maioria dos quais vive em arranha-céus, com mais de 60 andares.

Muitos se lembram do caso do edifício residencial Amoy Gardens em Hong Kong, onde em 2003 a Sars apareceu e infectou 321 residentes, 42 dos quais morreram.

A investigação mostrou que o vírus circulava verticalmente pelos canos dos banheiros e passava rapidamente de um apartamento para outro. A doença começou com um chinês que estava com diarreia e que visitou o irmão que morava no prédio.

Nesta terça-feira, as autoridades disseram que a evacuação de parte dos moradores do Cheung Hong Estate é uma medida de precaução após a descoberta de um caso no terceiro andar do edifício Hong Mei House, uma mulher de 62 anos, o 42º caso de contaminação por coronavírus detectado em Hong Kong.

Outra infecção foi confirmada no 13º andar do mesmo prédio. "Não estamos seguros quem foi o vetor de transmissão", disse a jornalistas Wong Ka-hing, do Centro de Defesa Sanitária. 

Como medida de precaução, os habitantes de todos os apartamentos do prédio entre os andares onde os dois casos foram detectados foram evacuados e terão que ficar em quarentena por 14 dias.

A secretária de Saúde de Hong Kong, Sophia Chan, disse que quatro pessoas foram hospitalizadas isoladamente porque apresentam sintomas semelhantes aos da gripe.

Nesta terça-feira, muitos policiais e profissionais da saúde ainda estavam no prédio. "É claro que tenho medo", disse à AFP a senhora Chan, de 59 anos, que mora no prédio e se recusou a dar seu sobrenome. "Eu moro aqui com meu filho, minha nora, meus netos e meu marido. Saímos pouco porque não temos máscaras suficientes", explicou.

Lee, outra moradora do Hong Mei House, disse que no prédio "vivem muitas pessoas idosas". "Todo mundo está preocupado com o vírus, porque ele pode se espalhar por todo o edifício", acrescentou.

O saldo da epidemia ultrapassou mil mortos, mas apenas um em Hong Kong, onde há 42 pessoas infectadas. Desde sábado, qualquer pessoa que chegue da China continental, o epicentro da epidemia, deve passar por uma quarentena de 14 dias.