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New Hampshire, um pequeno e fundamental estado para as primárias americanas

A cada quatro anos, esse estado de 1,3 milhão de habitantes é invadido pelas equipes de campanha dos candidatos, que esperam ganhar as primárias

19:36 | 10/02/2020

O pequeno estado de New Hampshire tem um papel decisivo na corrida presidencial nos Estados Unidos, e será ali que os democratas decidirão na próxima terça-feira qual o seu candidato preferido para enfrentar o republicano Donald Trump nas eleições de novembro.

"Estou surpresa que os candidatos não estejam aqui. Aqui é onde estão os eleitores", disse Heidi Barrett-Kitchen, presidente de um concurso de pesca no gelo no qual esperava reunir cerca de 10.000 pessoas no último final de semana.

A cada quatro anos, esse estado de 1,3 milhão de habitantes é invadido pelas equipes de campanha dos candidatos, que esperam ganhar as primárias. Nesta terça, depois do fiasco do caucus - uma espécie de convenção partidária - em Iowa na última semana, a aposta dobrou.

Embora Iowa seja considerado o pontapé inicial das primárias, New Hampshire define mais o tom das campanhas e a saída dos candidatos mais fracos do grupo.

"Sermos os primeiros do país é algo que nos deixa muito orgulhosos", afirma Barrett-Kitchen à AFP, enquanto os pescadores socializam.

Com razão, os resultados das primárias em New Hampshire são observados com atenção pelo restante do país, por causa dos precedentes históricos.

Em 1952, Dwight Eisenhower, general da Segunda Guerra Mundial, ganhou as primárias nesse estado. Essa vitória foi decisiva para que chegasse à Casa Branca, e que lhe possibilitaria desempenhar um importante papel na vida política americana.

Das 17 eleições presidenciais que ocorreram desde então, 14 candidatos que ganharam a nomeação do seu partido nesse estado acabaram depois se tornando presidentes. Nos outros casos, o aspirante que ficou em segundo lugar foi o candidato a ser eleito presidente.

Em outras palavras, há pouca esperança para quem fica em terceiro lugar.

No entanto, é difícil fazer qualquer projeção em uma eleição com 11 candidatos democratas.

O ex-vice-presidente Joe Biden, que é o favorito a nível nacional, está em terceiro nesse estado, atrás do senador Bernie Sanders e do ex-prefeito de South Bend, Pete Buttigieg.

"Muitos eleitores de New Hampshire, em sua maioria, acabam decidindo-se nessa semana", disse Bill Gardner, autoridade eleitoral desse estado desde 1976, em entrevista.

"Aqui, qualquer coisa pode acontecer", alerta. "Se alguém ganhou ou não em Iowa, isso não diz muito sobre o que acontecerá aqui", acrescenta.

Os candidatos estão conscientes do que está em jogo e do quão sério é o estado de New Hampshire. Diferentemente de Iowa, aqui a votação é feita em papel.

Vários candidatos, incluindo Sanders, Buttigieg e a senadora Amy Klobuchar, fizeram mais de 65 comícios em New Hampshire desde junho do último ano.

As pesquisas são lideradas por Sanders, um candidato da ala esquerda do partido que em 2016 venceu Hillary Clinton nesse estado, mas que depois não foi nomeado como candidato oficial por seu partido.

Em New Hampshire há mais eleitores inscritos como independentistas do que como eleitores partidaristas, e esses estão aptos para votar nas primárias, o que faz com que os candidatos se esforcem para conseguir ganhar o seu apoio.

"Às vezes pode ser assustador", confessa Theresa McCormack, uma eleitora registrada como democrata, que vive em Campton. "Acredito que as pessoas demoram a chegar a um decisão final, e eu me incluo nessa lista", opina enquanto almoça no lago Winnipesaukee.

Passado o desastre do caucus em Iowa, espécie de assembleia na qual os participantes expressam publicamente o seu apoio a algum candidato, New Hampshire recebe agora uma atenção especial.

Em iowa, após incidentes em Iowa com a recontagem, que foi incapaz de chegar a resultados e que teria tido falhas de segurança, espera-se que nesse estado decisivo a apuração ocorra com claridade.

Gardner insiste que o ocorrido em Iowa nunca poderia ocorrer em seu estado.

"Em New Hampshire todo mundo vota em papel", disse. "Não é possível 'hackear' um lápis".

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