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Republicanos tumultuam audiência de processo de impeachment contra Trump

00:01 | 25/10/2019
Deputados invadem sala, adiando por horas depoimento de testemunha no inquérito sobre suposto abuso de poder do presidente dos EUA. Ação ocorre dias após Trump exigir que membros de seu partido lutem contra impeachment.Deputados republicanos invadiram nesta quarta-feira (23/10) uma audiência fechada, adiando por horas o depoimento de uma testemunha-chave no processo de impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump. Mais de 20 congressistas invadiram uma sala do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes à qual só podem ter acesso os legisladores dos três comitês envolvidos na investigação – tanto democratas quanto republicanos – sobre possível abuso de poder de Trump, ao supostamente pressionar o governo ucraniano a investigar Hunter Biden, filho de seu adversário político democrata Joe Biden. No recinto, estava agendado o depoimento, a porta fechadas, de Laura Cooper, funcionária do departamento de Defesa encarregada da política para Ucrânia e Rússia. Após um atraso de mais de quatro horas, ela conseguiu iniciar seu testemunho. Os deputados republicanos protestaram pelo fato de a audiência ser realizada a portas fechadas. Alguns deles chegaram a enviar mensagens a partir de seus celulares durante a ação – embora smartphones sejam proibidos naquele recinto do Capitólio. O republicano Matt Gaetz escreveu no Twitter que invadiu a sala com mais de 30 colegas. Antes de a sala ser invadida, dezenas de deputados republicanos falaram a jornalistas, denunciando o inquérito de impeachment como "uma piada". Eles reclamaram que os testemunhos estão ocorrendo de forma privada, alegando que eles deveriam ser feitos publicamente. A Casa Branca vem sendo confrontada nas últimas semanas com uma série de depoimentos de funcionários do governo americano, atuais ou antigos, no inquérito contra Trump aberto pelos deputados democratas. Entretanto, nenhum deles parece tão explosivo quanto o do principal enviado dos EUA à Ucrânia, William "Bill" Taylor, encarregado de negócios da embaixada dos EUA na Ucrânia, que na terça-feira testemunhou aos legisladores. Taylor desmentiu a versão do presidente americano, de que não teria havido contrapartida no suposto pedido de Trump para que a Ucrânia investigasse o filho de Biden. De acordo com o diplomata, Trump reteve ajuda financeira a militares ucranianos para pressionar o governo de Kiev a investigar Hunter Biden. Segundo Taylor, Trump pediu que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarasse publicamente a abertura de investigações contra Hunter, em troca da liberação das verbas. O protesto dos deputados conservadores ocorre dois dias depois de Trump exigir que os republicanos "sejam mais firmes e lutem" contra o inquérito de impeachment. Na quarta-feira, o presidente americano emitiu um alerta ameaçador contra qualquer republicano que possa se voltar contra ele, descrevendo os chamados "never trumpers" dentro de seu próprio partido como "escória humana". Telefonema foi estopim de inquérito O caso que ameaça o governo Trump estourou em setembro, quando a imprensa revelou que um informante denunciou Trump por pressionar o governo da Ucrânia a investigar um rival democrata, o que indicaria que o presidente americano abusou se seu poder como chefe de Estado, ao procurar ajuda externa para interferir nas eleições do próprio país. Em um telefonema no final de julho, Trump pediu que Zelensky tomasse providências para investigar o ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho, Hunter. Trump e seus aliados vêm alegando, sem provas, que o ex-vice teria pressionado pela demissão de um procurador-geral da Ucrânia para arquivar potenciais investigações contra seu filho, que foi membro do conselho de uma empresa de gás ucraniana. Umatranscrição da conversa foi posteriormente divulgada pela Casa Branca no final de setembro, confirmando que Trump abordou o caso de Biden com Zelensky. O americano também pediu que Zelensky entrasse em contato com o procurador-geral dos EUA, William P. Barr, e com seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, para discutir medidas em uma potencial investigação contra Biden. Uma semana antes do telefonema, Trump havia suspendido uma ajuda militar de cerca de 250 milhões de dólares para a Ucrânia, que trava uma guerra em seu território contra forças apoiadas pela Rússia. Em 11 de setembro, mais de um mês após a conversa, a verba foi descongelada. MD/afp/dpa/efe ______________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | App | Instagram | Newsletter
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