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Tentam levar Partido Conservador para extrema-direita, diz ex-ministro britânico

23:27 | 09/09/2019
O ex-ministro das Finanças do governo de Theresa May, Philip Hammond, que é deputado pelo Partido Conservador britânico e um dos principais opositores do atual primeiro-ministro, Boris Johnson, disse que "tentam" levar o partido para a extrema-direita. Ele fez a avaliação pelo Twitter em resposta a uma declaração feita na mesma rede social horas antes pelo ministro da Saúde, Matthew Hancock.
Hancock lamentou a saída da ministra do Trabalho e Previdência, Amber Rudd, do governo. Ela renunciou argumentando que o premiê dedica pouco tempo de sua administração para buscar um acordo para o Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia. "O Partido Conservador sempre foi um templo amplo formado por aqueles que estão dentro dele. Comovido ao ver Amber partir - mas espero que outros Tories fiquem e lutem pelos valores que compartilhamos", escreveu Hancock.
Foi nessa sequência que Hammond se pronunciou: "Desculpe Matt, mas receio que o Partido Conservador tenha sido assumido por conselheiros, iniciantes e usurpadores não eleitos, que estão tentando transformá-lo de um templo amplo em uma facção de extrema direita", respondeu. Ele não citou nomes, mas Dominic Cummings, o conselheiro de Johnson, é apontado como a ideia por trás de um Brexit sem acordo, da suspensão do Parlamento por cinco semanas, da antecipação das eleições e de tirar nomes tradicionais do cargo de whip (chicote) dos Tories, como Nicholas Soames, neto de Winston Churchill.
"Infelizmente, não é o partido ao qual me integrei", lamentou Hammond, usando a mesma expressão escolhida pelo então conservador Phillip Lee, que chamou atenção durante a semana por mudar literalmente de lado na Câmara dos Comuns (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira) e se sentar do lado da oposição, quando Johnson começou a falar no Parlamento na volta dos trabalhos após o recesso de verão.
Com a decisão de Lee, Johnson perdeu a maioria do governo no Legislativo, que era garantida por apenas um assento, já considerando a coalizão de 10 deputados do irlandês DUP. Lee se juntou aos liberais democratas e momentos depois divulgou um esclarecimento sua atuação que dizia: "Desde 2010, tive o privilégio de representar a região de Bracknell. (...) O partido ao qual me juntei em 1992 não é o mesmo partido do qual saio hoje", trouxe a nota.