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Mais de 160 ativistas do meio ambiente foram assassinados em 2018; Brasil registrou 20 mortes

O número de mortos reduziu em comparação com 2017, que foi o ano mais mortífero, com 207 mortos

09:41 | 30/07/2019
No Brasil, pelo menos oito ativistas envolvidos em disputas com representantes da indústria da soja morreram em 2018 apenas no Pará
No Brasil, pelo menos oito ativistas envolvidos em disputas com representantes da indústria da soja morreram em 2018 apenas no Pará(Foto: Ibama)

Pelo menos 164 ativistas ambientais foram mortos no ano passado por defender suas casas, terras e recursos naturais contra projetos de mineração, florestais ou agroindustriais, de acordo com o balanço anual da ONG Global Witness. O levantamento aponta a Colômbia como o segundo país mais perigoso.

O país mais perigoso no ano passado para esses ativistas e líderes indígenas foi as Filipinas, com 30 assassinatos, segundo a organização, substituindo o Brasil no topo da lista. 

Na Colômbia, foram 24 mortes em 2018, e na Índia, 23. O Brasil registrou 20 ativistas assassinados, ficando em quarto na listagem. A Guatemala, com 16 assassinatos confirmados, é o país com mais mortes em relação ao número de habitantes.

Segundo o relatório, publicado nesta terça-feira, 30, além dos 164 identificados, outros "incontáveis" ativistas foram silenciados em todo o mundo por meio de violência, intimidação e uso ou modificação de leis anti-manifestação.

"É um fenômeno que pode ser visto em todas as partes do mundo. Os defensores do meio ambiente e da terra, dos quais um número significativo são representantes dos povos indígenas, são considerados terroristas, criminosos ou delinquentes por defenderem seus direitos", denuncia no informe Vicky Tauli-Corpuz, relatora especial sobre os direitos dos povos indígenas da ONU.

"Esta violência supõe uma crise para os direitos humanos, mas também uma ameaça para todos aqueles que dependem de um clima estável", acrescenta.

O número de mortos reduziu em comparação com 2017, que foi o ano mais mortífero, com 207 mortos. Mas a Global Witness aponta que o montante pode estar sobrevalorizado, principalmente porque alguns crimes ocorrem em lugares muito remotos. 

O incidente mais mortal registrado pela ONG em 2018 ocorreu no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, onde 13 pessoas morreram após uma manifestação contra uma mina de cobre, segundo a organização.

No Brasil, pelo menos oito ativistas envolvidos em disputas com representantes da indústria da soja morreram em 2018 apenas no estado do Pará.

Nas Filipinas, nove produtores de cana, incluindo mulheres e crianças, foram mortos por homens armados na ilha de Negros, diz a Global Witness, observando que o advogado que representa as famílias das vítimas foi assassinado 15 dias depois.

A organização também denuncia uma "tendência preocupante" em relação à intimidação e à prisão de defensores do meio ambiente, uma semana antes de o grupo de especialistas sobre clima da ONU (IPCC) publicar um relatório sobre o uso da terra na região que deverá destacar a importância dos povos indígenas na proteção da natureza.

O relatório também denuncia o papel de investidores, incluindo bancos de desenvolvimento, em projetos polêmicos, e cita algumas empresas acusadas de facilitar a violação dos direitos.

"Não basta que as multinacionais ligadas aos confiscos de terras evoquem sua ignorância", insiste. "Eles têm a responsabilidade de garantir preventivamente que as terras de que eles se beneficiam tenham sido arrendadas legalmente, com o consentimento das comunidades que nelas habitaram por gerações".

Assassinatos de ativistas registrados em 2018:

Filipinas - 30

Colômbia - 24

Índia - 23

Brasil - 20

Guatemala - 16

México - 14

Congo - 8

Irã - 6

Honduras - 4

Ucrânia - 3

Venezuela - 3

Camboja - 3

Quênia - 2

Gâmbia - 2

Chile - 2

Paquistão - 1

Senegal - 1

África do Sul - 1

Indonésia - 1

AFP