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Ameaça de Trump gera dúvida sobre acordo comercial na América do Norte

18:24 | 01/06/2019
O bom momento criado por apoiadores do novo acordo comercial na América do Norte foi atenuado pela turbulência gerada por Donald Trump. Nesta semana, presidente dos EUA ameaçou aplicar uma tarifa de 5% sobre as produtos mexicanos, a menos que o país vizinho reprima os imigrantes provenientes da América Central que tentam cruzar a fronteira dos EUA. A Câmara de Comércio dos EUA informou que está considerando uma ação legal para impedir que as tarifas entrem em vigor.
Grupos empresariais influentes temem que a ameaça de Trump contra o México possa inviabilizar o acordo comercial proposto. "A última coisa que queremos fazer é colocar esse acordo histórico - e os 2 milhões de empregos industriais que dependem do comércio norte-americano - em risco", disse Jay Timmons, presidente e diretor executivo da associação industrial National Association of Manufacturers, dos EUA.
Alguns senadores do Partido Republicano também estão irritados com o anúncio de Trump, como o presidente do Comitê de Finanças do Senado, Charles Grassley, de Iowa. "Isso é um mau uso da autoridade tarifária presidencial e contrária à intenção do Congresso", disse.
Assessores do Congresso de ambos partidos disseram que é muito cedo para dizer se a proposta de Trump vai atrapalhar o acordo. Mas a ameaça torna mais difícil para os legisladores avaliarem como o acordo melhoraria o cenário econômico se as tarifas sobre o México forem implementadas.
O governo Trump vinha tomando medidas de apoio ao acordo Estados Unidos-México-Canadá, buscando diálogo com legisladores democratas e republicanos. Tinha se comprometido a se reunir com um grupo de democratas da Câmara para acalmar as preocupações sobre o texto, um gesto que, como descreveu a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, colocou os democratas "em um caminho para o sim".
Mas Pelosi avaliou que a ameaça tarifária de Trump "não foi um passo positivo". "Indica falta de conhecimento por parte da administração sobre a política e o processo para aprovar um acordo comercial", disse. Para ela, a declaração do presidente dos EUA não está enraizada em uma sábia política comercial, mas apenas relacionada com a política de imigração. "Mais uma vez, o presidente está semeando o caos na fronteira, em vez de entregar soluções para os trabalhadores americanos e para os consumidores americanos", disse.
A Casa Branca está confiante de que o acordo passa na Câmara. Para a conselheira da Casa Branca, Kellyanne Conway, as tarifas não devem prejudicar a aprovação do pacto comercial. Segundo ela, Trump simplesmente quer que o México faça mais para conter o fluxo de migrantes. "As tarifas são uma boa maneira de atrair a atenção de um parceiro comercial e, aparentemente, isso aconteceu", disse.
O secretário de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, anunciou que ele e o secretário de Estado, Mike Pompeo, liderariam as negociações na quarta-feira, em Washington, uma medida considerada como potencial de aliviar as tensões e evitar tarifas retaliatórias.
Tanto o México quanto o Canadá estão avançando com passos para ratificar o acordo comercial. O ministro das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, indicou que cabe aos EUA e ao México resolver sua disputa. "Esta é uma questão bilateral", disse ela.
Fonte: Associated Press
assessores do Congresso de ambos partidos disseram que é muito cedo para dizer se a proposta de Trump vai atrapalhar o acordo. Mas a ameaça do presidente torna mais difícil para os legisladores avaliarem como o acordo melhoraria o cenário econômico se as tarifas sobre o México forem implementadas.
Fonte: Associated Press

Agência Estado