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Trump diz ser pró-vida, mas a favor de aborto em caso de estupro

00:04 | 20/05/2019
Presidente quebra o silêncio em meio a onda conservadora que tenta limitar o direito ao aborto em vários estados americanos. Mulheres saem às ruas no Alabama contra lei mais restritiva dos EUA, aprovada nesta semana.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quebrou o silêncio neste fim de semana sobre as duras leis de aborto aprovadas recentemente em alguns estados do país. Em mensagens publicadas no Twitter, o republicano disse ser "fortemente pró-vida", mas admitiu ser favorável ao aborto em caso de estupro, incesto ou risco de vida à mãe. Receba as notícias e análises da DW no WhatsApp "Como a maioria das pessoas sabem, e para as que querem saber, sou fortemente pró-vida, com três exceções – violação, incesto e proteção da vida da mãe –, a mesma posição adotada por Ronald Reagan", escreveu o presidente na noite deste sábado (18/05). A declaração de Trump vem dias depois de os legisladores do Alabama terem aprovado uma lei, na terça-feira, para acabar com quase todas as possibilidades de aborto, podendo assim se tornar o estado com a legislação de aborto mais restritiva dos Estados Unidos. Pela lei aprovada, o aborto passa a ser um crime grave em qualquer estágio da gravidez, e quase não há exceções, nem mesmo em casos de estupro ou incesto. A prática só é permitida em caso de risco grave para a vida da mãe. As penas vão de 10 anos (por tentativa de aborto) a 99 anos de prisão (se concluído) para o médico que o praticar. Não há punição para as gestantes. Neste domingo, milhares de defensores dos direitos da mulher realizam manifestações em várias cidades do Alabama em protesto contra a nova lei. Manifestantes se reúnem na capital, Montgomery, e em cidades como Birmingham, Anniston e Huntsville. "As pessoas deveriam ter o direito de tomar a decisão que é melhor para seus corpos sem a interferência do Estado", dizem os organizadores da marcha no Facebook. Na sexta-feira, foi a vez de o estado do Missouri aprovar uma lei restringindo o aborto. O texto torna a prática ilegal a partir da oitava semana de gravidez. O Alabama e o Missouri juntam-se a seis outros estados que têm agido para limitar seriamente o direito ao aborto, previsto na Constituição americana: Arkansas, Kentucky, Mississippi, Dakota do Norte, Ohio e Georgia, todos controlados politicamente pelos republicanos. Contudo, também em estados dominados pelos democratas começam a surgir movimentos para convencer os legisladores mais conservadores a apresentarem leis que combatem o direito ao aborto, como é o caso de Nova York e Illinois. A questão da interrupção voluntária da gravidez deverá estar no centro da próxima eleição presidencial americana, em 2020. Por trás dessa onda antiaborto nos Estados Unidos, estão movimentos cívicos ligados a organizações religiosas cristãs, de inspiração ultraconservadora, que é igualmente uma das mais importantes bases de apoio eleitoral de Trump. O objetivo desses movimentos é ameaçar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que legalizou o aborto em todo o território nacional em 1973, por meio de uma sentença que fez jurisprudência, conhecida como o caso Roe vs. Wade. A sentença determinou que as mulheres têm o direito constitucional de terminar a gravidez antes de um feto poder sobreviver fora do útero, um período estimado em cerca de 24 semanas de gestação. Os ativistas pró-vida acreditam que esse direito pode ser limitado por leis estaduais que criem constrangimentos e que, em última instância, possam levar a Suprema Corte a rever a jurisprudência criada pelo caso Roe vs Wade. EK/afp/ap/lusa/dw _____________ A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Fonte: DW | dw-world.de

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